A rabdomiólise, condição que matou a corredora americana Rachel Apa, de 24 anos, durante a Maratona de Nova York, costuma dar um sinal antes do colapso: urina muito escura, da cor de chá ou de refrigerante de cola, acompanhada de dor muscular intensa e fraqueza fora do normal. O termo disparou no Google nesta terça-feira (3), com alta de 1.000% nas buscas no Brasil, segundo o Google Trends, e acende um alerta para quem corre por conta própria.
Entenda o que aconteceu em Nova York, o que é a doença, quais são os sintomas e como reduzir o risco nos treinos e nas provas.
O que aconteceu na Maratona de Nova York
Rachel Apa era ex-jogadora de hóquei sobre grama da Universidade Bucknell e disputava sua primeira maratona, no domingo (1º). Segundo o Metrópoles, ela relatou dores por volta do quilômetro 22, mandou mensagens ao pai durante a prova e chegou a parecer melhor antes de desabar depois do quilômetro 38, a cerca de 4 km da chegada.
Um espectador começou a massagem cardíaca até a chegada das equipes médicas, que usaram um desfibrilador e levaram a jovem ao hospital Mount Sinai, onde ela morreu às 21h40. O pai, Steve, disse ao The New York Times que a filha tinha “saúde perfeita” e estava em ótima forma, e confirmou a rabdomiólise como causa da morte. A organizadora da prova, a NYRR, declarou estar “profundamente triste”. O caso também foi noticiado pela NBC News.
O que é rabdomiólise
Rabdomiólise é a destruição das fibras dos músculos esqueléticos, aqueles que usamos para nos movimentar. Quando essas células se rompem, liberam no sangue substâncias como mioglobina, potássio e enzimas musculares. Em grande quantidade, elas sobrecarregam os rins e podem causar insuficiência renal aguda, explica a Rede D’Or.
É a mioglobina que escurece a urina. Nos casos graves, o excesso de potássio no sangue pode provocar arritmias cardíacas, e o quadro pode evoluir para falência de vários órgãos.
Sintomas de rabdomiólise: os 5 sinais de alerta
Os sintomas mais citados pelos médicos são:
- Dor muscular intensa e desproporcional ao esforço feito, que não melhora com o descanso.
- Fraqueza e dificuldade para fazer movimentos simples, como subir um degrau.
- Inchaço e rigidez no músculo mais exigido, geralmente coxas e panturrilhas nos corredores.
- Urina escura, avermelhada ou marrom, o sinal mais característico.
- Pouca urina, acompanhada de náusea, vômito ou cansaço extremo.
Um cuidado importante: segundo a Rede D’Or, a urina escura nem sempre aparece, e a ausência dela não descarta a rabdomiólise. Da mesma forma, nem toda urina escura indica a doença. O que deve acender o alerta é a combinação de sintomas depois de um esforço acima do habitual.

Por que corredores amadores estão no grupo de risco
A causa mais comum ligada ao esporte é o exercício muito intenso ou prolongado, acima do condicionamento da pessoa. O médico do esporte Wander Ama, membro da Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia Esportiva, aponta à CNN Brasil os principais fatores de risco:
- desidratação;
- uso inadequado de suplementos;
- treino em temperaturas extremas;
- excesso de treino sem descanso suficiente.
A Rede D’Or acrescenta outras causas possíveis, como álcool em excesso, uso de drogas, infecções graves, insolação, doenças musculares ou genéticas prévias e alguns medicamentos, como as estatinas, em situações específicas.
O Brasil já teve casos parecidos. Em janeiro de 2024, o corredor Dorgival Celerino do Nascimento, de 50 anos, morreu depois de passar mal em uma prova de 14 km em Caruaru (PE). O hospital registrou hepatite fulminante e rabdomiólise, segundo o SBT News. Na época, o infectologista Jacyr Pasternak, do Hospital Albert Einstein, explicou que o quadro surge quando o esforço é tão grande que danifica as fibras musculares, e lembrou que a condição é rara.
O calor desta semana aumenta o risco
Treinar no calor é um dos gatilhos mais conhecidos. Nesta semana, a metade norte do Paraná pode ter máximas perto de 35°C antes da chegada dos temporais, como mostramos na matéria sobre o alerta extremo de tempestade no Sul. E, como o governo decidiu não retomar o horário de verão em 2026, quem corre depois do expediente terá menos luz natural no fim do dia, o que empurra parte dos treinos para horários mais quentes.
Diagnóstico e tratamento da rabdomiólise
O diagnóstico é feito com exames de sangue e de urina. O principal é a dosagem da CK (creatinoquinase), enzima que sobe algumas horas depois da lesão muscular e atinge o pico entre 24 e 72 horas, por isso pode ser medida mais de uma vez. Os médicos também avaliam creatinina, ureia, potássio e a presença de mioglobina na urina, como descreve o Manual MSD.
O tratamento começa pela interrupção da causa e pela hidratação na veia, para manter os rins funcionando e eliminar a mioglobina. Nos casos mais graves, pode ser necessária a diálise. Segundo os especialistas, muitos pacientes se recuperam bem quando o atendimento é rápido.
Como prevenir a rabdomiólise na corrida
A prevenção é simples e vale para quem está começando ou se preparando para uma prova longa:
- Aumente o volume aos poucos. Saltos bruscos de distância ou intensidade estão entre os gatilhos mais comuns.
- Hidrate-se antes, durante e depois, sem exageros, e reponha sais em provas longas.
- Evite os horários mais quentes e reduza o ritmo em dias de calor intenso.
- Respeite o descanso entre treinos fortes.
- Cuidado com suplementos e informe ao médico os remédios que você usa.
- Faça avaliação médica antes de uma primeira maratona ou meia maratona.
- Pare se algo estiver errado. Dor desproporcional no meio da prova não é sinal de fraqueza, é sinal para buscar o posto médico.
Quando procurar a emergência
Dor muscular intensa, fraqueza, inchaço ou urina escura depois de um esforço forte pedem avaliação médica imediata, em um pronto-socorro. Não espere a dor passar em casa: quanto mais cedo a hidratação venosa começa, menor o risco de lesão nos rins. Se você corre em grupo, combine com os colegas: quem notar sinais de rabdomiólise em alguém durante um treino ou prova deve chamar o socorro na hora, sem esperar a pessoa melhorar sozinha.
Resumindo: a rabdomiólise é rara, mas pode ser grave, e o caso de Nova York mostra que até atletas jovens e em boa forma estão sujeitos a ela. Conhecer os sinais e respeitar os limites do corpo continua sendo a melhor proteção.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um médico. A Vector News é produzida pela Vector Marketing, que cria portais de notícias para empresas que querem ser encontradas no Google.
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