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Não é só 31 de outubro: como as marcas transformaram o Halloween em temporada

De agosto a outubro, parques, refrigerantes e varejo transformaram o Halloween em temporada. Veja os cases de Fanta e Hopi Hari e como aproveitar a data.

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· 6 min de leitura

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Mesa preparada com decoração de Halloween, cenário das ações de marcas no Halloween
Parques, bebidas e varejo transformaram o Halloween em temporada. Imagem ilustrativa gerada com IA

O Halloween deixou de ser uma noite. Para as marcas no Halloween, a data virou uma temporada inteira, que começa em agosto e só termina no fim de outubro, com parques, refrigerantes, restaurantes e varejistas disputando a atenção de um público que adora experiências. A ideia de que o 31 de outubro é só uma festa importada ficou para trás, e quem entendeu isso primeiro está colhendo resultados.

O movimento aparece tanto no Brasil quanto lá fora. Em Orlando, nos Estados Unidos, a temporada de 2026 foi esticada para 94 dias seguidos de eventos e atrações temáticas, segundo o Mercado & Eventos. Por aqui, o Hopi Hari abriu sua Hora do Horror em 15 de agosto, com programação até 31 de outubro.

Como as marcas no Halloween transformaram um dia em temporada

A lógica é a mesma que o varejo aplicou à Black Friday: quando uma data concentra desejo, faz sentido esticá-la. No Halloween, o desejo é por experiência, susto, fantasia e conteúdo para compartilhar. Isso favorece formatos que vão muito além do anúncio tradicional.

O caso do Hopi Hari é ilustrativo. A Hora do Horror nasceu em 2002 justamente para atrair visitantes na baixa temporada do parque. Mais de duas décadas depois, virou um dos eventos mais tradicionais do calendário paulista e uma plataforma para outras marcas. Em edições recentes, o parque reuniu ativações de patrocinadores como Fanta, Santander e Zurich dentro e fora dos túneis de terror, como registrou o Diário do Turismo.

Infográfico sobre marcas no Halloween mostrando como a data virou uma temporada de agosto a outubro
Como o Halloween virou temporada para as marcas. Arte: Vector News

Os números por trás das marcas no Halloween

O tamanho do mercado explica o interesse. Nos Estados Unidos, onde a tradição é mais forte, o gasto com a data chegou a US$ 11,6 bilhões em 2024, segundo dados citados pela Merca2.0. Os parques temáticos americanos viraram vitrine desse movimento: o Universal Studios Florida chega à 35ª edição do Halloween Horror Nights com 48 noites de programação e dez casas mal-assombradas.

No Brasil, os números ainda são menores, mas a direção é a mesma. A combinação de parques, shoppings, redes de fast food, bebidas e varejo de moda faz com que as marcas no Halloween ocupem cada vez mais espaço em outubro, competindo diretamente com datas tradicionais do calendário promocional. Para as marcas no Halloween, a pergunta deixou de ser “vale a pena participar?” e passou a ser “como se destacar no meio de tantas ações?”.

Fanta quer ser o Natal da Coca-Cola, mas no Halloween

Nenhuma marca levou o Halloween tão a sério quanto a Fanta. A estratégia global da marca é transformar a data em seu momento cultural, assim como a Coca-Cola fez com o Natal. O resultado chamou atenção da indústria: o case “Trick or Fanta!” foi premiado com ouro no Marketing Society Awards e, segundo a Warc, gerou mais de 7,7 bilhões de impressões e um aumento de 5,3% no volume de transações, com produtos esgotados em mercados importantes antes da data.

A receita combinou edições limitadas com ícones do terror, um filme principal, ações em todos os canais e uma fábrica assombrada que o público podia visitar. O ponto central foi o insight: o Halloween gira em torno de indulgência e vontade de algo gostoso, e a marca se posicionou como a guloseima que nem os monstros resistem.

Latas de edição limitada da Fanta para o Halloween, exemplo de como as marcas no Halloween usam produtos temáticos
Latas de edição limitada da Fanta para o Halloween. Foto: Divulgação/Fanta

O que a Fanta ensina

  • Escolher uma data e ser dono dela: em vez de aparecer em todas as datas, concentrar energia em uma e repetir ano após ano.
  • Edição limitada gera urgência: produto temático que acaba vira assunto e motivo de compra.
  • Experiência física alimenta o digital: quem visita uma ativação posta, e o post vira mídia gratuita.

Marcas no Halloween à brasileira

Há também espaço para quem prefere adaptar a data à cultura local. A Docile, por exemplo, lançou neste ano uma campanha que valoriza mitos e o folclore nacional durante o Halloween, criada pela agência Global, segundo o Meio & Mensagem. É um caminho interessante: aproveitar o interesse pela data sem simplesmente copiar o modelo americano, e ainda conversar com o Dia do Saci, celebrado no mesmo 31 de outubro.

Esse equilíbrio entre o global e o local é uma das chaves para marcas brasileiras. O público gosta da festa, mas valoriza quando a marca mostra que entende o país em que está.

Por que o Halloween interessa a quem não vende doces

Engana-se quem acha que a data só serve para confeitarias e lojas de fantasia. O Halloween reúne três comportamentos que interessam a praticamente qualquer negócio:

  • Busca por experiências: o consumidor quer viver algo, não só comprar algo. Parques, shoppings, bares e eventos se beneficiam.
  • Conteúdo compartilhável: fantasias, decorações e sustos rendem fotos e vídeos, o combustível das redes sociais.
  • Público jovem e engajado: a data atrai principalmente adolescentes e jovens adultos, justamente a faixa que muitas marcas têm dificuldade de alcançar.

Essa busca por experiências não é exclusiva do Halloween. Ela aparece em festivais, lançamentos e até em eventos criados pelas próprias marcas, como mostramos na reportagem sobre o evento proprietário das marcas de beleza.

O calendário que não para

Para o varejo, o Halloween também funciona como ponte. Ele chega logo depois do Dia das Crianças e pouco antes da Black Friday, o que permite manter o consumidor engajado num trimestre decisivo. Marcas que planejam o calendário como uma sequência, e não como datas isoladas, aproveitam melhor cada momento. Acompanhamos esse movimento nas reportagens sobre as vendas do Dia das Crianças e sobre o consumidor da Black Friday.

Como pequenas empresas podem aproveitar

Não é preciso orçamento de multinacional. Um café pode criar uma bebida temática, uma loja pode decorar a vitrine e propor um concurso de fotos, um restaurante pode montar um cardápio especial e uma marca de serviços pode fazer conteúdo bem-humorado sobre os “terrores” do seu setor. O segredo é o mesmo das grandes: criar algo que as pessoas queiram viver e compartilhar.

Marcas no Halloween: o que esperar até o dia 31

Com as ativações já em andamento, a tendência é que o volume de campanhas cresça nas próximas duas semanas, com lançamentos de última hora no varejo, cardápios temáticos e ações nas redes sociais. Para quem ainda não planejou nada, a dica é escolher uma ação simples e bem executada, em vez de tentar fazer tudo. No Halloween, como em qualquer data, vence quem conta uma história que o público tenha vontade de contar de novo.

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Redação Vector News
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