O consumidor da Black Friday de 2026 chega à data mais informado, mais desconfiado e muito mais influenciado por vídeos. Pesquisas divulgadas nas últimas semanas mostram que a decisão de compra começa semanas antes de 27 de novembro, e cada vez mais na tela do celular, assistindo a outras pessoas usando os produtos.
Para marcas e varejistas, entender esse comportamento é o que separa uma campanha que vende de uma que só queima margem.
O vídeo virou a vitrine do consumidor da Black Friday
Uma pesquisa do Kwai mostra que 55% dos usuários descobrem produtos ao assistir a vídeos de outras pessoas usando os itens, um crescimento de 20% em relação ao levantamento feito para a Black Friday de 2025. Outros 44% procuram ofertas nas redes sociais, e 33% demonstram interesse em produtos recomendados por criadores de conteúdo.
Um levantamento do Opinion Box com usuários brasileiros do YouTube reforça a tendência: 84% procuram vídeos de produtos antes de comprar. Vídeos de pessoas comuns mostrando os produtos em uso interessam a 56% dos entrevistados, vídeos técnicos a 55% e comparações entre marcas a 47%.

Gente comum convence mais que especialista
Um dos dados mais reveladores é sobre confiança. Consumidores comuns foram apontados como o tipo de criador mais confiável por 52% dos entrevistados, à frente dos reviewers profissionais, com 43%. O consumidor da Black Friday quer ver o produto na vida real, com os defeitos e as qualidades, e não apenas uma apresentação perfeita.
A pesquisa começa muito antes da data
Outro ponto central é a antecedência. Segundo o Kwai, 62% dos participantes começam a pesquisar pelo menos duas semanas antes da Black Friday. Dentro desse grupo, 27% iniciam com três meses de antecedência e 25% com um mês. Levantamentos do mercado também indicam que mais da metade pretende distribuir as compras ao longo de novembro, e não concentrar tudo na sexta-feira.
Na prática, a Black Friday virou uma temporada. Marcas que aparecem apenas na semana da data chegam tarde, quando o consumidor já montou sua lista e definiu onde vai comprar.
Onde e o que o consumidor vai comprar
- 91% dos entrevistados pretendem comprar algo na Black Friday 2026, seis pontos acima da pesquisa anterior.
- 42% apontam marketplaces e lojas online como principal canal de compra.
- Eletrônicos lideram a lista de categorias preferidas.
- Segundo o Google, 41% pretendem gastar mais do que em 2025.
Desconto não é o único argumento
O consumidor da Black Friday ficou mais exigente com as ofertas. Ferramentas de comparação de preços e o histórico de valores nos marketplaces tornaram mais fácil identificar descontos falsos. Ao mesmo tempo, os benefícios além do preço ganharam força. Dados do Google mostram que o ticket médio sobe até 23% quando a oferta inclui vantagens que vão além do desconto simples, como frete grátis, parcelamento sem juros ou brindes.
Isso muda a estratégia. Em vez de entrar em uma guerra de preços, o varejista pode proteger a margem oferecendo condições que o cliente valoriza e que custam menos para a empresa do que um corte direto no preço.
O que marcas e varejistas devem fazer
Com base nos dados, algumas ações ganham prioridade para conquistar o consumidor da Black Friday em 2026:
- Produzir vídeos curtos mostrando os produtos em uso real, com linguagem simples.
- Trabalhar com clientes reais e pequenos criadores, que geram mais confiança do que grandes celebridades.
- Começar a comunicação já em outubro, para entrar na lista do consumidor antes da concorrência.
- Oferecer benefícios além do desconto, como frete, parcelamento e kits.
- Ser transparente com os preços para não perder credibilidade.
O papel das buscas e da inteligência artificial
O caminho de compra também passa cada vez mais por assistentes de IA, que resumem avaliações e comparam opções. Produtos com boas descrições, avaliações reais e vídeos de demonstração têm mais chance de aparecer bem nessas respostas. Conteúdo bem feito deixou de ser só marketing e virou parte da infraestrutura de vendas.
O recado para 2026
O consumidor da Black Friday deste ano não compra por impulso. Ele pesquisa com antecedência, assiste a vídeos, confia em gente parecida com ele e compara preços com facilidade. Para as marcas, isso significa que a disputa é decidida nas semanas anteriores, e não no dia da promoção.
Quem investir agora em conteúdo útil e em ofertas transparentes tende a colher os melhores resultados em 27 de novembro.
Assista ao vídeo com o calendário da data no Vector News Play e acompanhe as notícias de varejo na página inicial do Vector News.
Executivo de marketing e conteúdo digital com mais de 18 anos de experiência em marcas como Terra, iG, TecToy e Banco Digio, indústrias e agências de comunicação. Fundador da Vector Marketing, agência especializada em portais, sites e conteúdo, e atualmente editor do Vector News.
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