Se o seu celular disparou um alerta extremo de tempestade nesta semana, com som de sirene mesmo no modo silencioso, a resposta curta é esta: você tem poucos minutos para sair de perto de árvores, janelas e ruas que alagam. O termo virou uma das buscas mais feitas do Brasil nesta terça-feira (3) e passou de 500 mil pesquisas em poucas horas, segundo o Google Trends, enquanto um ciclone extratropical se forma na costa do Sul e coloca Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná sob aviso de temporal até quinta-feira (5).
A seguir, você confere o que o aviso significa, os 7 passos para agir assim que ele tocar e onde o risco é maior em cada dia da semana.
O que significa o alerta extremo de tempestade no celular
O alerta extremo de tempestade faz parte do Defesa Civil Alerta, sistema que usa a tecnologia cell broadcast. A mensagem sai pela própria rede de telefonia e chega a todos os aparelhos conectados às antenas de uma área de risco. Não depende de internet nem de cadastro, mas o celular precisa estar com sinal 4G ou 5G. Segundo a Defesa Civil, aparelhos Android e iPhone lançados a partir de 2020 já são compatíveis, como detalhou a CNN Brasil.
O sistema trabalha com dois níveis principais:
- Alerta Extremo: usado em situações de alto risco, que pedem proteção imediata. Toca com som de sirene, mesmo no silencioso, e trava a tela até a pessoa fechar a notificação.
- Alerta Severo: usado quando o perigo é esperado, mas ainda há tempo para se preparar. Emite um bipe parecido com o de SMS e não toca no modo silencioso.
Na prática, se o aparelho tocou como sirene, a Defesa Civil avaliou que o risco na sua região é alto e está próximo. Vale um cuidado: em junho de 2026 o sistema foi invadido e um aviso falso chegou a celulares de todo o país durante a madrugada, caso que passou a ser investigado pela Polícia Federal. Por isso, depois de se proteger, confirme o alerta extremo de tempestade nos canais oficiais da Defesa Civil do seu estado.
Recebi o alerta extremo de tempestade: 7 passos para os primeiros minutos
As orientações abaixo reúnem as recomendações da Defesa Civil e do Inmet repetidas nos avisos desta semana:
- Leia a mensagem inteira. Ela informa o tipo de evento, a área atingida e por quanto tempo o aviso vale.
- Procure abrigo em um local fechado e firme. Fique longe de janelas e portas de vidro, que podem estourar com rajadas e granizo.
- Não se abrigue debaixo de árvores. A queda de galhos e de árvores inteiras está entre as principais causas de acidentes em vendavais.
- Tire o carro de perto de torres, postes e placas. Estruturas de transmissão e outdoors podem tombar com ventos acima de 60 km/h.
- Desligue os aparelhos da tomada. Com raios por perto, a recomendação é não usar eletrônicos ligados direto na rede elétrica.
- Não atravesse ruas alagadas, nem a pé nem de carro. Poucos centímetros de água em movimento já arrastam pessoas e veículos.
- Tenha à mão os números de emergência: Defesa Civil no 199 e Corpo de Bombeiros no 193.
Existe ainda um passo que pode ser dado antes do temporal: enviar o CEP da sua casa por SMS para o número 40199. O serviço é gratuito e manda avisos da Defesa Civil por mensagem de texto, um reforço ao alerta extremo de tempestade para aparelhos mais antigos que não recebem o cell broadcast. O governo do Rio Grande do Sul explica o cadastro passo a passo.

Alerta extremo de tempestade no Sul: onde o risco é maior até quinta
A sequência de temporais é explicada por uma área de baixa pressão sobre o Paraguai, por um corredor de umidade vindo da Amazônia e por um novo centro de baixa pressão que se forma perto do litoral catarinense na quarta-feira, segundo o NC News.
Terça-feira (3)
O Inmet mantém alerta amarelo em boa parte do Sul, com até 50 mm de chuva por dia, rajadas de 40 a 60 km/h e possibilidade de granizo. No Rio Grande do Sul, Fronteira Oeste, Missões, Noroeste, Norte, Serra, Centro e Vales aparecem no nível de “perigo” da escala da Climatempo, de acordo com a Agência GBC.
Quarta-feira (4): o dia mais crítico
É o dia que mais preocupa os meteorologistas. O Inmet emitiu alerta laranja com 50 a 100 mm de chuva em 24 horas e rajadas de 60 a 100 km/h, com risco de queda de árvores, alagamentos, danos a plantações e falta de energia. Noroeste, Missões, Norte e Serra gaúcha chegam ao nível de “perigo extremo”, o mais alto da escala, com acumulados de até 120 mm em pontos isolados. É o dia com mais chance de um novo alerta extremo de tempestade nos celulares.
No Paraná, o Norte Pioneiro e os Campos Gerais estão sob aviso de perigo, e o Simepar não descarta a formação de supercélulas, tempestades capazes de produzir granizo grande e ventos muito fortes, conforme a Tribuna do Vale. O sul do Paraná, Santa Catarina e o norte gaúcho estão sob aviso de grande perigo. Antes da chuva, o calor: a metade norte paranaense pode ter máximas perto de 35°C, cenário típico da primavera, estação em que o governo decidiu não retomar o horário de verão em 2026.
Quinta-feira (5)
A chuva perde força na maior parte do Rio Grande do Sul, mas as tempestades se deslocam para a metade norte do Paraná. O estado continua sob alerta de perigo potencial, com chance de granizo e ventos intensos.
Por que o alerta extremo de tempestade chega a quem está longe do temporal
O cell broadcast funciona por antena, não por endereço. Quem está perto do limite de uma área de risco pode receber o aviso mesmo morando fora dela, e quem está viajando recebe o alerta da região onde se encontra naquele momento. A orientação da Defesa Civil é tratar todo alerta extremo de tempestade como verdadeiro até confirmar o contrário.
O caminho inverso também acontece: o celular pode não tocar. Aparelhos sem sinal 4G ou 5G, modelos anteriores a 2020 ou com os alertas de emergência desligados nas configurações podem ficar de fora. A recomendação é manter essa opção ativa, na área de notificações do aparelho, e não depender só dela. Em regiões onde antenas caem durante vendavais, soluções como a Starlink no celular começam a ganhar espaço justamente para manter a comunicação de pé.
Depois do temporal: cuidados que evitam o segundo acidente
Boa parte dos acidentes acontece depois que a chuva passa:
- Não toque em fios caídos e avise a distribuidora de energia.
- Evite passar perto de árvores danificadas, que podem cair horas depois do vendaval.
- Fotografe os danos na casa e no carro antes de limpar, porque as imagens ajudam a acionar o seguro.
- Continue acompanhando os boletins: depois de um alerta extremo de tempestade, novos avisos podem ser emitidos para a mesma área.
Resumindo: o alerta extremo de tempestade é o nível mais alto do sistema de avisos da Defesa Civil e pede ação imediata. E quarta-feira (4) é o dia de redobrar a atenção no Sul do país.
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