O Coritiba anunciou nesta terça-feira, 27 de outubro, a demissão do técnico Fernando Seabra. A decisão veio um dia depois da derrota por 1 a 0 para o Grêmio, no Couto Pereira, pela 32ª rodada do Campeonato Brasileiro, e encerra uma sequência de sete jogos seguidos sem vitória na Série A, segundo a Gazeta Esportiva. Com a saída, o Brasileirão de 2026 chega a 20 treinadores desligados na temporada.
Em nota oficial, o clube informou que “Fernando Seabra não seguirá como treinador da equipe profissional” e agradeceu ao técnico e à comissão pelo “profissionalismo, dedicação e compromisso”. Entenda o que levou à demissão, os números do trabalho e o que a troca representa para o clube e para o futebol como negócio.
Quem é Fernando Seabra
Fernando Seabra nasceu em 19 de junho de 1977 e construiu a carreira como treinador no futebol brasileiro, com passagem pelo comando do Cruzeiro antes de chegar ao Coritiba. No clube paranaense, assumiu um elenco recém-campeão da Série B, com a tarefa de fazer a transição para a primeira divisão, um dos desafios mais difíceis do futebol nacional. Times que sobem costumam ter orçamento menor que o dos rivais da elite e precisam se reforçar rapidamente para não voltar à segunda divisão no ano seguinte.
Por que Fernando Seabra foi demitido
O motivo principal foi a queda de rendimento no segundo semestre. O Coritiba não venceu nenhuma partida da Série A em setembro e outubro, de acordo com a CNN Brasil. A sequência negativa fez o time voltar a olhar para a zona de rebaixamento.
A derrota para o Grêmio pesou ainda mais por ter sido contra um concorrente direto. O time gaúcho abre a zona de rebaixamento, e o resultado no Couto Pereira reduziu a vantagem do Coritiba a cinco pontos, com seis rodadas por disputar.

Os números de Fernando Seabra no Coritiba
Fernando Seabra, de 49 anos, chegou ao Coritiba em dezembro de 2025, logo depois de o clube conquistar o título da Série B e garantir a volta à elite. A missão era manter o time competitivo na primeira divisão.
Segundo a Gazeta Esportiva, o treinador comandou o time em 42 partidas, com 14 vitórias, 13 empates e 15 derrotas. No período, o Coritiba chegou à semifinal do Campeonato Paranaense e à quinta fase da Copa do Brasil.
Na Série A, o time ocupa a 12ª posição, com 39 pontos, resultado de uma campanha que se sustentou até a sequência ruim do segundo semestre. O problema foi a reta final: sete rodadas sem vencer derrubaram o aproveitamento e acenderam o alerta na diretoria.
Quem assume o Coritiba
O clube informou que a comissão técnica permanente assume o time até a contratação de um novo treinador. Segundo a Gazeta Esportiva, Guilherme Bossle comanda a equipe de forma interina. O próximo compromisso é contra o Vitória, pela 33ª rodada, de acordo com o BNews.
A tabela da reta final é dura. Depois do Vitória, o Coritiba enfrenta Internacional, Santos, Bahia, Flamengo e Palmeiras, segundo o Terra. É uma sequência com adversários fortes, o que aumenta a pressão sobre quem assumir o time.
Brasileirão chega a 20 técnicos demitidos em 2026
A saída de Fernando Seabra entra numa conta conhecida do futebol brasileiro. Levantamento citado pelo Terra mostra que 20 treinadores já foram desligados ao longo do Brasileirão 2026. A lista inclui nomes como Filipe Luís, no Flamengo, Jorge Sampaoli, no Atlético-MG, Tite, no Cruzeiro, Renato Gaúcho, no Vasco, e Hernán Crespo, no São Paulo. Fernando Diniz aparece duas vezes, por Vasco e Corinthians.
Apenas seis clubes não trocaram de técnico até agora: Bahia, Palmeiras, Red Bull Bragantino, Mirassol, Athletico-PR e Vitória.
O custo da troca de técnico para os clubes
Para além do campo, cada demissão tem impacto financeiro. A troca de treinador costuma envolver multa rescisória, salários da comissão que sai e da que chega e, em muitos casos, novos reforços pedidos pelo técnico contratado. Num calendário com 20 demissões, o futebol brasileiro gasta milhões por ano só com a rotatividade no banco de reservas.
No Coritiba, a decisão tem um peso empresarial adicional. O clube é uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF) e, em 2023, teve 90% das ações vendidas à gestora Treecorp, em uma operação de R$ 1,1 bilhão, a primeira de um fundo de private equity brasileiro no futebol, segundo o InfoMoney. Para os investidores, a permanência na Série A é decisiva: ela garante receitas muito maiores de direitos de transmissão, patrocínio e bilheteria do que a Série B.
Por isso, a troca de técnico na reta final é tratada também como uma decisão de gestão de risco. Um rebaixamento afetaria o valor do clube e o plano de negócios da SAF.
Futebol, marcas e o negócio do esporte
A instabilidade no comando técnico também afeta patrocinadores, que associam suas marcas a projetos esportivos e a resultados. O tema ganha importância num ano em que o patrocínio no futebol passa por mudanças, com a saída das casas de apostas das camisas, como explicamos em fim das bets no patrocínio do futebol, e com o crescimento do futebol feminino como negócio, tema de futebol feminino e a Copa de 2027.
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Próximos passos após a saída de Fernando Seabra
A diretoria do Coritiba ainda não anunciou o substituto de Fernando Seabra. A tendência, nesta fase da temporada, é a busca por um treinador experiente em brigas contra o rebaixamento ou a manutenção do interino até o fim do campeonato.
Para Fernando Seabra, a demissão encerra um ciclo de dez meses. Ex-técnico do Cruzeiro, ele chega ao mercado como um dos nomes que montaram um time recém-promovido competitivo na maior parte da Série A. A Vector News acompanha os desdobramentos e o impacto da reta final do Brasileirão nos clubes e nas marcas.
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