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Itaú compra a NeoSpace por R$ 2,9 bi e entra de vez na corrida da IA própria

O Itaú vai pagar R$ 2,925 bilhões pela NeoSpace, startup brasileira de inteligência artificial fundada em 2023. Entenda o negócio, a estratégia do banco e as lições para empresas de todos os portes.

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NeoSpace: fachada do Itaú iluminada à noite após a compra da startup de inteligência artificial
O Itaú vai pagar R$ 2,925 bilhões pela NeoSpace, startup brasileira de IA. Imagem ilustrativa gerada por IA

O Itaú Unibanco anunciou a compra de 100% da NeoSpace, startup brasileira de inteligência artificial, por R$ 2,925 bilhões. O negócio, divulgado na segunda-feira, 26 de outubro, é uma das maiores aquisições de uma empresa de IA já feitas no país e mostra que os grandes bancos decidiram ter tecnologia própria em vez de apenas alugar a dos gigantes americanos. Parte do valor será paga no fechamento e o restante ao longo de cinco anos, segundo o Seu Dinheiro. A operação ainda depende de aprovação do Cade e do Banco Central.

Neste texto, explicamos o que é a NeoSpace, por que o Itaú pagou tanto por uma empresa fundada há menos de três anos e o que esse movimento sinaliza para empresas de todos os tamanhos.

O que é a NeoSpace

A NeoSpace foi fundada no fim de 2023 e desenvolve grandes modelos fundacionais de inteligência artificial generativa e de dados. Segundo o NeoFeed, a empresa criou o conceito de Large Data Model (LDM), um modelo capaz de analisar qualquer formato de dado ou documento, e não apenas texto, como fazem os modelos de linguagem mais conhecidos.

A diferença em relação a OpenAI e Anthropic é o foco: a NeoSpace oferece plataformas para que as empresas treinem modelos com os próprios dados. Para um banco, isso significa usar o histórico de milhões de clientes, transações e contratos para criar uma inteligência que nenhum concorrente consegue copiar. Além do setor financeiro, a startup já tem clientes em telecomunicações, aviação e energia.

À frente da empresa estão Bruno Pierobon, cofundador e CEO, Felipe Almeida, Gustavo Debs e Thiago Teixeira. Pelo acordo, a NeoSpace manterá gestão autônoma, com Pierobon no comando e a equipe de pesquisa e desenvolvimento preservada.

Infográfico da compra da NeoSpace pelo Itaú por R$ 2,925 bilhões com linha do tempo da relação
A compra da NeoSpace pelo Itaú em números. Arte: Vector News

Uma relação que começou antes da NeoSpace

A compra não caiu do céu. Os três primeiros fundadores já tinham vendido outra empresa ao Itaú: em 2019, o banco pagou mais de R$ 500 milhões pela Zup, companhia de software criada por eles em 2011.

Em janeiro de 2025, o Itaú liderou uma rodada de US$ 18 milhões na NeoSpace, que avaliou a startup em US$ 100 milhões, com participação de investidores como Martin Escobari, da General Atlantic, e Micky Malka, da Ribbit Capital. Desde então, as duas empresas trabalham juntas em projetos de crédito, relacionamento com clientes e prevenção a fraudes.

Ou seja, o Itaú comprou algo que já conhecia por dentro. A conta também chama atenção: em menos de dois anos, a avaliação saltou de cerca de US$ 100 milhões para o equivalente a R$ 2,9 bilhões.

Por que o Itaú quer ter a própria IA

O CEO do banco, Milton Maluhy Filho, afirmou que a IA generativa terá papel central na evolução dos serviços bancários, com experiências cada vez mais personalizadas, e chamou a aquisição de “investimento estratégico”. Na prática, a tecnologia da NeoSpace vai alimentar a ia.i, plataforma de IA generativa lançada pelo banco em julho, que permite ao cliente conversar com os produtos do Itaú por texto ou voz. A meta é levar a ferramenta a 100% dos clientes pessoa física do superapp até o fim de 2026.

Há três razões principais para um banco desse porte querer a própria inteligência artificial:

  • Dados como vantagem: modelos treinados com informações exclusivas geram respostas e ofertas que concorrentes não conseguem replicar.
  • Segurança e regulação: no setor financeiro, manter dados sensíveis dentro de casa reduz riscos e facilita o cumprimento das regras do Banco Central.
  • Custo e independência: depender de fornecedores estrangeiros para uma tecnologia central deixa a empresa exposta a preços em dólar e a mudanças de estratégia de terceiros.

O último ponto ganhou peso nesta semana. Com o dólar perto de R$ 5,40 depois da eleição, como mostramos em como o dólar alto afeta o marketing, tudo o que é contratado em moeda americana ficou mais caro de uma hora para outra.

A corrida da NeoSpace e da IA nos bancos

O Itaú não está sozinho. Nubank, Bradesco e outros grandes bancos também investem pesado em inteligência artificial para crédito, atendimento e combate a fraudes. A diferença é a estratégia: enquanto muitos contratam modelos prontos, o Itaú decidiu comprar uma fábrica de modelos.

No Brasil, o ecossistema de IA ainda é pequeno, mas cresce. Um estudo da Universidade Federal de Goiás identificou mais de 50 grandes modelos de linguagem desenvolvidos no país, de empresas como WideLabs, NeuralMind e Clarice.ai, segundo o NeoFeed. A NeoSpace está entre as poucas que conseguiram captar recursos para desenvolver os próprios modelos, e agora deve acelerar a expansão: a empresa está montando um escritório nos Estados Unidos e negocia oportunidades por lá e na Europa.

Para o mercado, o negócio também serve de referência de preço. Uma startup brasileira de IA com tecnologia própria, clientes reais e menos de três anos de vida foi avaliada em quase R$ 3 bilhões. Isso tende a atrair mais investimento para o setor no país.

O que a compra da NeoSpace ensina às empresas

Nem toda empresa vai comprar uma startup de inteligência artificial, mas a lógica por trás do negócio vale para qualquer porte. O recado do Itaú é claro: quem controla os próprios dados e os próprios canais tem vantagem sobre quem depende de terceiros.

Algumas lições práticas:

  1. Organize seus dados: histórico de clientes, vendas e atendimento é matéria-prima para qualquer uso de IA. Dados bagunçados não geram inteligência.
  2. Use IA com curadoria: produzir em massa sem critério pode custar a confiança da marca, como explicamos em conteúdo gerado por IA.
  3. Esteja onde as IAs procuram respostas: com a busca migrando para ferramentas como ChatGPT e Gemini, ser citado como fonte virou estratégia. Detalhamos isso em SEO para IA.
  4. Construa ativos próprios: assim como o Itaú quer a própria IA, empresas ganham força com canais próprios de audiência, que não dependem de mídia paga.

Dados próprios, canais próprios

O movimento do Itaú conversa com uma tendência maior: empresas que querem ser donas da relação com o cliente, e não inquilinas de plataformas alheias. É a mesma lógica que leva grandes marcas a criar o próprio veículo de comunicação, como mostramos em por que grandes empresas estão criando o próprio portal de notícias.

Na Vector Marketing & Conteúdo, ajudamos empresas a aplicar inteligência artificial no marketing com estratégia e curadoria humana, e a construir portais e canais próprios que geram audiência pelo Google e pelas IAs.

Próximos passos da NeoSpace

Agora, a operação segue para análise do Cade e do Banco Central. Enquanto isso, o mercado vai observar como a tecnologia da NeoSpace será incorporada à ia.i e se o Itaú cumprirá a meta de levar a plataforma a todos os clientes pessoa física até dezembro.

Também vale acompanhar a reação dos concorrentes. Se a aposta der certo, outros bancos e grandes empresas brasileiras podem seguir o mesmo caminho e transformar a compra de startups de IA em uma nova onda de aquisições no país. A Vector News vai acompanhar os desdobramentos.

Redação Vector News
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