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Crise dos ônibus faz eleição ser prorrogada até as 19h pela primeira vez na história

A falta de ônibus em Salvador levou Zanin a estender a votação até as 19h em todo o Brasil, algo inédito no TSE. Veja a linha do tempo e o que as empresas aprendem com isso.

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Crise dos ônibus: eleitores com título na mão esperam transporte em ponto lotado no domingo de eleição
A falta de ônibus em Salvador levou à prorrogação da votação em todo o país.

A crise dos ônibus em Salvador mudou o horário de uma eleição presidencial inteira. Neste domingo (25), a falta de transporte na capital baiana e em cidades vizinhas levou o ministro Cristiano Zanin, do STF, a prorrogar a votação do segundo turno até as 19h em todo o país, duas horas além do previsto. Foi a primeira vez que isso aconteceu na história do TSE, segundo o próprio presidente da Corte, Kassio Nunes Marques. Por trás da decisão inédita, há uma lição que vai muito além da política: o que acontece quando uma operação crítica falha justamente no dia em que não pode falhar.

Como começou a crise dos ônibus

Os problemas apareceram ainda pela manhã em Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas. Segundo a Exame, ao menos 75 ônibus foram impedidos de sair das garagens na capital baiana. A coligação de Lula afirmou que uma fiscalização judicial constatou que mais da metade da frota habitual de dias úteis ficou retida por orientação do órgão municipal de mobilidade, de acordo com a CNN Brasil.

A crise dos ônibus escalou rápido. A Justiça Eleitoral da Bahia fixou multa de R$ 1 milhão por hora caso a ordem de restabelecer a frota não fosse cumprida, e o secretário de Mobilidade de Salvador chegou a ter a prisão determinada, segundo a CNN Brasil e a InfoMoney. Passageiros reclamaram da interrupção do serviço em plena votação.

Em São Paulo, o problema foi de prazo. A SPTrans informou que recebeu às 13h10 de sábado (24) a ordem do TRE-SP para colocar 100% da frota municipal nas ruas no domingo, com menos de 12 horas de antecedência. A empresa repassou a determinação às concessionárias dos 32 lotes operacionais às 13h32 e precisou reorganizar escalas e jornadas às pressas. No Sul e em São Paulo, chuvas e alagamentos também atrapalharam o deslocamento de eleitores.

A linha do tempo de um domingo inédito

A crise dos ônibus virou uma corrida contra o relógio. Os principais horários, segundo a cobertura da Bloomberg Línea e da CNN Brasil:

  • 16h05: o presidente do TSE dá meia hora para as prefeituras prestarem esclarecimentos.
  • 16h32: a reclamação da coligação de Lula chega ao STF.
  • 17h: horário original de encerramento da votação.
  • Logo após as 17h: Zanin determina a prorrogação por duas horas, até as 19h, em todas as seções do país, e atribui ao TSE o cumprimento.
  • 18h12: o TSE orienta que só as seções ainda abertas sigam funcionando até as 19h.
  • 18h34: o TRE-SP comunica que está cumprindo a decisão.
  • 19h: fim da votação em todo o Brasil.
Crise dos ônibus: linha do tempo da prorrogação da eleição até as 19h no segundo turno de 2026
Da falta de ônibus em Salvador à prorrogação nacional: o domingo hora a hora. Arte: Vector News

Quem pediu, quem criticou

A prorrogação por causa da crise dos ônibus foi pedida pela coligação Brasil Pronto Pra Mais, de Lula, inicialmente por causa das cidades baianas. Antes disso, a campanha de Flávio Bolsonaro já tinha solicitado ao TSE a extensão do horário em São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, por causa das chuvas, e também que a divulgação dos resultados só começasse depois do fechamento nesses estados.

Depois da decisão, o tom mudou. Flávio chamou a prorrogação de “inaceitável”, o governador Tarcísio de Freitas criticou a medida, e o deputado Marcel van Hattem anunciou um pedido de impeachment de Zanin. O presidente do STF, Edson Fachin, defendeu o respeito à soberania popular. Nunes Marques reconheceu as críticas pela demora e afirmou: “Não é uma decisão convencional”.

A discussão sobre transporte no dia da eleição não é nova. Em 2022, o STF já havia tratado da oferta de ônibus nas votações, justamente para evitar que a falta de transporte afastasse eleitores das urnas. A diferença é que, desta vez, a crise dos ônibus terminou mexendo no horário de todo o país.

O efeito da crise dos ônibus no resultado e na apuração

Com a prorrogação provocada pela crise dos ônibus, a totalização dos votos começou mais tarde, e o resultado só se consolidou à noite. Lula venceu com 51,78% dos votos válidos, contra 48,22% de Flávio. A abstenção ficou em 19,21%, abaixo dos 21,08% do primeiro turno, segundo a InfoMoney.

Ao anunciar que vai pedir a anulação da eleição, Flávio disse ser “impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram”. O impacto da reeleição nos mercados foi imediato, como mostramos na reportagem sobre a reação do dólar e da bolsa.

A lição da crise dos ônibus para as empresas

Tire a política da equação e sobra um caso clássico de operação crítica que falha no pior momento. Toda empresa tem o seu “dia da eleição”: a Black Friday para o varejo, o fechamento do mês para o financeiro, o lançamento de um produto, o pico de demanda de um serviço. Quatro aprendizados valem para qualquer negócio:

  1. Prazo curto é risco operacional. A SPTrans teve menos de 12 horas para colocar a frota inteira na rua. Se a sua operação depende de ordens de última hora, o plano de contingência precisa existir antes da ordem chegar.
  2. Multa por hora muda a urgência. R$ 1 milhão por hora transforma um problema logístico em problema financeiro e jurídico em minutos. Contratos com cláusulas desse tipo precisam de monitoramento em tempo real.
  3. Quem está no centro da crise precisa falar rápido. A SPTrans publicou sua versão dos fatos com horários exatos. Na crise, quem não se explica deixa o espaço para a versão dos outros.
  4. Infraestrutura invisível só aparece quando falha. Ninguém pensa no ônibus até ele não passar. O mesmo vale para servidores, fornecedores e atendimento. Mapear o que é crítico é o primeiro passo.

Comunicação de crise e posicionamento são temas que tratamos com frequência, como no texto sobre o impacto das eleições nas empresas. Para quem quer estruturar a reputação da marca antes do próximo imprevisto, a Vector Marketing & Conteúdo trabalha posicionamento e comunicação com empresas de vários setores.

O que vem agora

Os próximos dias devem trazer o detalhamento do pedido de anulação anunciado pela campanha de Flávio, a resposta da Justiça Eleitoral e possíveis apurações sobre a responsabilidade pela redução da frota em Salvador. A crise dos ônibus já entrou para a história eleitoral do país. A dúvida é se ela vai ficar marcada como um acidente operacional ou como o ponto de partida de uma disputa ainda mais longa nos tribunais.

Redação Vector News
Sobre o autor Equipe editorial do Vector News Ver todas as matérias do autor →
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