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Eleições 20262º turno, 25 de outubro 22 × 13 1dia 17h 07min Como o mercado reage à disputa

iFood compra a Caju por cerca de R$ 1 bilhão e dobra a aposta em benefícios

O iFood Benefícios comprou a Caju em negócio avaliado em cerca de R$ 1 bilhão, a maior aquisição da história do iFood. Juntas, as empresas somam 3 milhões de usuários e 135 mil clientes, em um mercado de R$ 150 bilhões por ano pressionado pelas novas regras do PAT.

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· 7 min de leitura

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iFood compra a Caju: cartões do iFood Benefícios e da Caju lado a lado
iFood compra a Caju e amplia a disputa no mercado de vale-refeição. Imagem: Divulgação/iFood

O iFood compra a Caju, uma das startups de benefícios corporativos que mais cresceram no país, em um negócio que o mercado avalia em cerca de R$ 1 bilhão. O anúncio foi feito na terça-feira, 20 de outubro, e já é tratado como a maior aquisição da história do iFood. Com a operação, o iFood Benefícios passa a somar cerca de 3 milhões de usuários e 135 mil empresas clientes, e entra de vez na briga com as gigantes do vale-refeição.

No negócio em que o iFood compra a Caju, o valor oficial não foi divulgado. Segundo o Brazil Journal, uma fonte ouvida pela publicação estimou a Caju em cerca de R$ 1 bilhão. O Startups fala em mais de R$ 1 bilhão em dinheiro, cerca de cinco vezes tudo o que a empresa captou desde 2020. A operação ainda depende de aprovação do Cade e do Banco Central, e até lá as duas empresas seguem operando de forma independente.

iFood compra a Caju: os números do negócio

Para entender o tamanho da jogada em que o iFood compra a Caju, vale olhar o que cada lado leva para a mesa. O iFood Benefícios, divisão criada em 2020, tem cerca de 65 mil empresas clientes e 1,7 milhão de usuários. A Caju, fundada no mesmo ano por Eduardo Del Giglio e Renan Mendes, atende 70 mil empresas e 1,3 milhão de trabalhadores.

Somadas, as operações chegam a aproximadamente 135 mil empresas e mais de 3 milhões de usuários, antes de descontar clientes em comum. Pelas contas do Startups, isso equivale a cerca de 13% dos beneficiários do PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador), o que colocaria a nova empresa na quinta posição do setor.

O volume também explica por que o iFood compra a Caju agora. Cada uma das empresas movimenta cerca de R$ 1,3 bilhão por mês, segundo o Brazil Journal. Com uma taxa média de 3% sobre as transações, cada operação geraria algo perto de R$ 450 milhões de faturamento por ano.

Quanto a Caju captou até aqui

A Caju levantou cerca de US$ 50 milhões ao longo da sua história, com investidores como Canary, Valor Capital Group, Caravela Capital e K1 Investment Management. Foram R$ 13 milhões em 2020, R$ 45 milhões em 2021 e US$ 25 milhões em 2022. Naquele ano, a empresa tinha cerca de 13 mil clientes, um sexto do que tem hoje. Ou seja: a Caju cresceu bastante sem precisar de rodadas gigantes, o que ajuda a explicar o múltiplo pago agora.

A startup também deixou de ser só um cartão de benefícios. Hoje oferece gestão de despesas corporativas, reembolsos, adiantamentos, rotinas de RH, crédito consignado e contas para colaboradores. E, segundo o Brazil Journal, deve dar lucro ainda este ano.

Por que o iFood compra a Caju e quer tanto o mercado de benefícios

O setor de benefícios movimenta cerca de R$ 150 bilhões por ano no Brasil, atende mais de 22 milhões de trabalhadores e reúne cerca de 470 mil empresas inscritas no PAT, de acordo com o Poder360. Durante décadas, foi um mercado de taxas altas para restaurantes e supermercados e de pouca inovação para o trabalhador.

A tese do iFood é de ecossistema. O vale-refeição é, literalmente, o dinheiro que paga as refeições que o app conecta há 15 anos. O grupo reúne mais de 500 mil restaurantes e mercados parceiros, 600 mil entregadores e 65 milhões de consumidores. Quando o iFood compra a Caju, ele aproxima ainda mais o saldo do benefício do lugar onde esse saldo é gasto.

“Repensamos a cadeia de valor do benefício”, disse Arthur Freitas, CEO do iFood Benefícios. Segundo ele, a divisão cresceu cerca de 80% ao ano nos últimos três anos e já opera no azul. Com a escala da Caju, Freitas afirma que o iFood terá condições de oferecer uma taxa de desconto menor que a praticada pelo mercado.

A camada de RH que faltava

Se o iFood traz a rede de aceitação e o consumo, a Caju traz a relação com o RH das empresas. Eduardo Del Giglio, que continua na companhia após a conclusão do negócio, resumiu assim: a empresa entra nas companhias pelos benefícios e permanece pela plataforma. A empresa combinada vai atuar em três frentes: benefícios (não só refeição e alimentação), mobilidade e premiações com gestão de outras categorias.

O movimento conversa com uma tendência que a Vector News tem acompanhado em outras frentes do setor financeiro, como na compra da Inter Seguros pelo Inter e na compra da Empiricus pelo BTG: quem tem o relacionamento com o cliente quer controlar mais etapas da jornada.

iFood compra a Caju: infográfico com usuários, empresas clientes e tamanho do mercado de benefícios
iFood compra a Caju e passa a somar cerca de 3 milhões de usuários e 135 mil empresas clientes. Arte: Vector News

A regra que mudou o jogo do vale-refeição

O movimento em que o iFood compra a Caju não aconteceria com a mesma velocidade sem a mudança no PAT. Um decreto publicado em novembro de 2025 fixou um teto de 3,6% para as taxas cobradas dos estabelecimentos, determinou a abertura dos grandes arranjos de pagamento e a interoperabilidade entre redes. Na prática, a vantagem das redes fechadas diminuiu e as margens das operadoras tradicionais ficaram mais apertadas.

Há, porém, um risco no caminho. Como a mudança veio por decreto, um governo futuro pode alterá-la sem passar pelo Congresso. As operadoras tradicionais ainda questionam pontos das novas regras. Del Giglio diz acreditar que “não haverá retrocessos no ambiente regulatório”, independentemente de quem estiver no poder.

Quem são os concorrentes

As quatro grandes operadoras, Alelo, Ticket, Pluxee (antiga Sodexo) e VR, ainda concentram mais de 80% do mercado, segundo o Startups. Do outro lado estão os novos entrantes, com cartões de bandeiras tradicionais e redes de aceitação mais amplas: Caju, iFood Benefícios e Flash.

A disputa esquentou em 2026. Em agosto, a Flash fechou uma rodada Série D de R$ 150 milhões liderada pela Battery Ventures, e soma cerca de 60 mil empresas clientes e mais de 2 milhões de trabalhadores. Em setembro, o C6 Bank acertou a compra da Alymente, que vai virar C6 Benefícios. Pouco antes, o BTG Pactual lançou o BTG Benefícios. Bancos digitais, como mostramos na reportagem sobre Nubank e Monzo, estão atrás de cada ponto de contato com o cliente.

Vale lembrar que, em 2025, o iFood chegou a negociar a compra da Alelo, controlada por Bradesco e Banco do Brasil, em um negócio que poderia passar de R$ 5 bilhões. Os bancos negaram ter recebido proposta. Agora, o iFood compra a Caju e mostra que achou outro caminho para ganhar escala.

E o delivery?

O negócio também tem um pano de fundo no delivery. O iFood enfrenta a chegada das chinesas Keeta e 99Food, que investem bilhões no Brasil, além de Rappi e Aiqfome. Ter o benefício do trabalhador dentro de casa ajuda a proteger a principal fonte de receita do grupo. O investimento faz parte do pacote de R$ 24 bilhões anunciado pela Prosus, dona do iFood, para o ano fiscal que termina em março.

O que muda para empresas, trabalhadores e restaurantes

Se o iFood compra a Caju e une as plataformas, para o RH das empresas a tendência é de mais opções em uma única plataforma: refeição, alimentação, mobilidade, premiação e despesas. Para o trabalhador, o iFood afirma que o saldo pode render até 40% mais por causa da oferta de restaurantes no app. Para restaurantes e mercados, a promessa é de taxas menores, embora o efeito real dependa da reação das operadoras tradicionais.

Do ponto de vista de marca, a jogada também é de presença. Quanto mais serviços uma empresa oferece, mais ela precisa explicar o que faz, para quem e por quê. Não por acaso, fintechs e bancos têm investido em canais próprios de conteúdo, como mostramos ao analisar o blog do Nubank como portal de conteúdo. A Vector Marketing & Conteúdo cria portais de notícias próprios para empresas que querem contar essa história com voz própria, sem depender só de mídia paga.

A notícia de que o iFood compra a Caju fecha um ciclo de consolidação e abre outro, mais competitivo. Com Cade e Banco Central ainda por aprovar, o mercado de benefícios entra em 2027 com menos espaço para taxas altas e muito mais disputa pela carteira do trabalhador.

Redação Vector News
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