O Inter vai ficar com 100% da Inter Seguros. O banco digital mineiro fechou a compra da participação de 39,75% que pertencia à Wiz Co na seguradora por R$ 409,5 milhões, pagos em dinheiro. O acordo foi anunciado na noite de segunda-feira (19/10) e ainda depende da aprovação do Banco Central e do Cade. Quando for concluído, o Inter passa a ser o único acionista de um negócio que já tem mais de 9 milhões de contratos ativos e lucro em forte alta.
Segundo o NeoFeed, o valor será corrigido pelo CDI desde 2 de outubro até o fechamento e não está sujeito a ajustes posteriores, pagamentos variáveis ou metas de desempenho. Ou seja, é um preço fechado.
Os números da Inter Seguros
A Inter Seguros é uma das sete verticais de negócio do Inter e funciona dentro do super app do banco, com distribuição totalmente digital. O portfólio inclui seguros de vida, residencial, automóvel, celular e viagem, além de produtos ligados a cartões e consórcios.
De acordo com o Money Times, a operação teve lucro líquido de R$ 37,4 milhões no segundo trimestre de 2026, alta de 35% na comparação anual. São mais de 9 milhões de contratos ativos, número que mostra a força de vender seguro para uma base que já usa o banco no dia a dia.
Quanto vale a Inter Seguros
O preço pago permite estimar o valor da seguradora como um todo. Se 39,75% custaram R$ 409,5 milhões, a Inter Seguros inteira estaria avaliada em cerca de R$ 1 bilhão, pela conta simples da Vector News.
A comparação com 2019 também chama atenção. Naquele ano, a Wiz comprou 40% da seguradora em um acordo de R$ 114 milhões, com uma parte fixa de R$ 45 milhões e outra variável, ligada a metas. O valor da venda agora é cerca de 3,6 vezes maior. O Economic News Brasil pondera, porém, que os documentos não comprovam se a parcela variável foi paga integralmente, então o ganho real da Wiz pode ser diferente.
Por que o Inter quis ficar com 100% da Inter Seguros
Os executivos do banco deixaram clara a lógica do negócio. João Vitor Menin, CEO global do Inter, afirmou que a seguradora cresceu junto com a base de clientes do banco e que consolidar o controle deve acelerar a inovação. Santiago Stel, CFO, destacou a rentabilidade, com margens elevadas e expansão consistente, e disse que a compra integral permitirá ao banco capturar todo o valor gerado.
Na prática, há três ganhos principais para o Inter:
- Todo o lucro fica em casa. Em vez de dividir o resultado com um sócio, o banco passa a ficar com 100% do lucro de uma operação que cresce a dois dígitos.
- Decisões mais rápidas. Sem acordo de acionistas, o Inter tem liberdade para lançar produtos, mudar preços e investir sem negociar com terceiros.
- Integração total ao super app. Seguro é um produto de alta margem e que aumenta o vínculo do cliente com o banco. Quem tem conta, cartão e seguro na mesma plataforma tende a ficar mais tempo.
A exclusividade até 2069
Um detalhe do acordo original chamou a atenção do mercado. O contrato de 2019 deu à Wiz exclusividade comercial para vender seguros pelos canais físicos e digitais do Inter até 26 de junho de 2069, ou seja, por cerca de 50 anos. Com a venda, o acordo de acionistas será encerrado e o contrato operacional será alterado. As cláusulas modificadas não foram divulgadas, então ainda não está claro o que muda nessa exclusividade.

O que muda para a Wiz
Para a Wiz Co, a venda reforça o caixa num momento de reorganização. A empresa informou que os R$ 409,5 milhões ficarão em caixa até que a administração defina o destino do dinheiro. A companhia está numa fase de consolidação, com foco em margens e simplificação da operação, e reduziu a dívida líquida de 2,5 vezes o Ebitda, em 2023, para 0,5 vez.
O CEO Lucas Neves, que assumiu neste ano, já tinha dito que o foco seria acelerar o negócio de seguros buscando parcerias com bancos que ainda têm pouca presença no segmento. No dia do anúncio, a ação WIZC3 subiu 3,06%, para R$ 9,09, e a empresa vale cerca de R$ 1,45 bilhão na bolsa.
O que muda para o cliente
Por enquanto, nada. Não foram anunciadas mudanças em apólices, coberturas ou atendimento. Os mais de 9 milhões de contratos seguem valendo normalmente, e a Inter Seguros continua operando dentro do aplicativo do banco. Eventuais novidades devem aparecer depois que o negócio for aprovado e concluído.
O recado para o mercado de fintechs
A compra mostra uma fase mais madura das fintechs brasileiras. Depois de anos focadas em conquistar clientes a qualquer custo, as plataformas digitais agora buscam rentabilidade, e seguros estão entre os produtos de maior margem do setor financeiro. É o mesmo movimento de consolidação que já vimos na compra da Empiricus pelo BTG: grandes plataformas trazendo para dentro negócios que antes dividiam com parceiros.
Também é uma disputa por relacionamento. Os bancos digitais competem pela atenção do mesmo cliente, e quem consegue oferecer mais serviços dentro do app ganha espaço. A estratégia lembra a de outros nomes do setor, como mostramos em Nubank e Monzo.
Relacionamento: o ativo que vale mais
Há uma lição que vai além do setor financeiro. A Inter Seguros chegou a 9 milhões de contratos porque nasceu sobre uma base de clientes que já confiava no banco. Seguro é um produto difícil de vender a frio: a pessoa precisa conhecer e confiar na marca antes de contratar.
Por isso, as fintechs que mais crescem investem pesado em relacionamento e informação: educação financeira, conteúdo útil e presença constante na rotina do cliente. É a lógica que levou marcas como o Nubank a apostar em um portal de conteúdo próprio, que atrai e educa clientes sem depender só de mídia paga. E o papel da marca na decisão de compra voltou a crescer justamente em produtos que exigem confiança.
A Vector Marketing cria portais de notícias e conteúdo para empresas do setor financeiro que querem construir essa confiança no próprio site.
Próximos passos
O negócio agora segue para análise do Banco Central e do Cade, e não há data confirmada para o fechamento. Até lá, a Wiz continua acionista. O mercado deve acompanhar dois pontos: o que muda na exclusividade prevista até 2069 e como o Inter vai usar o controle total da Inter Seguros para lançar novos produtos dentro do super app. O balanço do terceiro trimestre do banco, previsto para as próximas semanas, deve trazer as primeiras pistas.
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