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Santiago Peña renuncia à presidência do Paraguai após crise do Ueno Bank: quem assume e o que muda

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou a renúncia em meio à crise do Ueno Bank e a um processo de impeachment. O vice Pedro Alliana deve assumir após o Congresso rejeitar sua destituição.

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Santiago Peña, presidente do Paraguai, que anunciou renúncia em meio à crise do Ueno Bank
Santiago Peña em retrato oficial. Foto: Presidência da República do Paraguai / ilustração criada por IA com base na imagem de Wikimedia Commons (domínio público)

Três dias depois do fechamento do banco digital que atendia um em cada três paraguaios, o presidente do Paraguai anunciou que vai deixar o cargo. Santiago Peña apresentou sua renúncia nesta quinta-feira, 5 de novembro, em meio à crise do Ueno Bank, que deixou cerca de 3 milhões de clientes sem acesso às contas, e a um processo de impeachment aberto contra ele no Congresso. Quem deve assumir é o vice-presidente, Pedro Alliana.

Segundo a CNN Brasil, a renúncia ainda precisa ser aceita pelo Congresso paraguaio, que deve se reunir para analisar o pedido. Em vídeo divulgado ao anunciar a decisão, Peña afirmou: “Estou convencido de que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai”, segundo o BPMoney.

Por que Santiago Peña renunciou

A renúncia é consequência direta da crise do Ueno Bank. O banco, controlado pelo Grupo Vázquez, fechou as portas na terça-feira, 3 de novembro, depois que o Banco Central do Paraguai iniciou o processo de liquidação. Segundo a CNN Brasil, o BC constatou um déficit nos índices de solvência relacionado a empréstimos concedidos a empresas ligadas ao próprio grupo.

O peso político veio de uma ligação antiga. Santiago Peña foi acionista do grupo controlador do banco até março de 2025, quando vendeu sua participação. A oposição passou a acusá-lo de conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e encobrimento institucional pelo Banco Central, entre outros pontos, segundo a CNN Brasil.

A deputada de oposição Rocío Vallejo apresentou a acusação durante a sessão. “Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai”, afirmou, segundo a reportagem.

O que Santiago Peña diz em sua defesa

Nas declarações citadas pelas reportagens, Peña não respondeu ponto a ponto às acusações. Antes de anunciar a saída, ele promulgou uma lei voltada aos poupadores do Ueno Bank e fez um apelo na rede social X: “Peço veementemente a todos os setores políticos que coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse”. O presidente também afirmou que os responsáveis pelas irregularidades vão responder à Justiça sem exceções.

As acusações ainda não foram julgadas. O impeachment é um processo político, e a renúncia pode mudar o andamento do caso no Congresso. Segundo a Exame, Peña também anunciou que deixaria o país, informação que não aparece nas outras reportagens consultadas.

O papel do Partido Colorado na queda de Peña

O que selou a saída foi a perda de apoio dentro do próprio partido. Santiago Peña é do Partido Colorado, que governa o Paraguai há décadas. Segundo a Exame, nove deputados da chamada “bancada B” do partido apoiaram o processo contra o presidente, mas rejeitaram a destituição do vice. O líder do grupo, Hugo Meza, disse que a bancada apoiaria a chegada de Alliana ao poder se a saída de Peña se confirmasse.

O BPMoney informa ainda que o ex-presidente Horacio Cartes, liderança central do Partido Colorado, e o presidente do Congresso, Basilio Núñez, retiraram o apoio ao governo. A denúncia que levou à sessão extraordinária teve a assinatura de 35 parlamentares.

Pedro Alliana também chegou a ser incluído no pedido de impeachment. Segundo chamada publicada pela Exame, a Câmara rejeitou a destituição do vice por 48 votos a 30, o que abre caminho para ele assumir a presidência.

Infográfico Santiago Peña: linha do tempo da crise do Ueno Bank até a renúncia
Linha do tempo: do fechamento do Ueno Bank à renúncia de Santiago Peña. Infográfico: Vector News

Quem é Pedro Alliana, o vice que deve assumir

Hércules Pedro Lorenzo Alliana Rodríguez tem 52 anos e nasceu em Pilar, no departamento de Ñeembucú, segundo a Exame. Antes da política, foi comerciante e jogador de basquete, chegando a defender a seleção paraguaia.

Na vida pública, perdeu a eleição para a prefeitura de Pilar em 2006, governou Ñeembucú de 2008 a 2012 e foi eleito deputado em 2013, com reeleição em 2018. Presidiu a Câmara dos Deputados quatro vezes e assumiu o comando do Partido Colorado em 2015. Em 2023, foi eleito vice-presidente na chapa de Santiago Peña.

Alliana integra desde 2010 o movimento Honor Colorado, liderado por Horacio Cartes. Segundo a Exame, os dois se reuniram na sede do partido no dia da renúncia. Com a posse de Alliana, o Senado deverá escolher um senador para ocupar a Vice-Presidência.

A crise do Ueno Bank em números

O tamanho do problema ajuda a entender a velocidade da queda. O Ueno Bank tinha cerca de 3 milhões de clientes num país de pouco mais de 6 milhões de habitantes. Segundo a CNN Brasil e o BPMoney, o banco concentrava cerca de US$ 850 milhões, aproximadamente R$ 4,6 bilhões, em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previsión Social, a previdência paraguaia.

A investigação também avançou rápido. Reportagens anteriores falavam em mandados de prisão contra pelo menos oito pessoas ligadas ao banco. Segundo o BPMoney, a Procuradoria já denunciou 27 pessoas. Os clientes têm garantia de depósitos de até 228 milhões de guaranis, cerca de R$ 211 mil, a ser paga em etapas.

O que a renúncia de Santiago Peña muda para o Brasil

O Paraguai é um parceiro próximo do Brasil. Os dois países dividem a usina de Itaipu, fazem parte do Mercosul e têm uma das fronteiras comerciais mais movimentadas da região, com Ciudad del Este e Foz do Iguaçu. Milhares de brasileiros vivem, trabalham ou têm negócios no país, e muitos pensam em morar no Paraguai por causa dos impostos mais baixos.

No curto prazo, a principal preocupação é com a estabilidade. A crise bancária travou pagamentos no comércio paraguaio, e a troca no comando do governo pode atrasar decisões econômicas. Para quem tem negócios na fronteira ou dinheiro em bancos do país, o momento pede atenção aos comunicados oficiais.

O episódio também mostra como uma crise financeira pode virar crise política em poucos dias, algo que o mundo acompanhou de perto em 2026, inclusive com as mudanças de poder nos Estados Unidos, quando Trump perdeu o Congresso.

Os próximos passos no Paraguai

O Congresso precisa formalizar a aceitação da renúncia de Santiago Peña e dar posse a Pedro Alliana. Depois, o Senado escolhe quem ocupará a Vice-Presidência. Em paralelo, seguem a investigação sobre o Ueno Bank e o pagamento da garantia aos clientes. Também falta saber como fica o processo de impeachment com a saída de Santiago Peña e se ele terá de responder às acusações na Justiça. Para os paraguaios, a prioridade imediata é voltar a ter acesso ao próprio dinheiro.

O caso deixa uma lição para qualquer instituição: confiança se perde em horas e custa caro para reconstruir. Empresas e governos que comunicam com transparência, por canais próprios e com informação clara, como os portais de notícias corporativos, tendem a atravessar crises com menos danos. No Paraguai, a falta de confiança derrubou um banco e, três dias depois, levou à renúncia de um presidente.

Redação Vector News
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