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Ueno Bank fecha no Paraguai e deixa 1 em cada 3 paraguaios sem acesso à conta: quanto os clientes vão receber

O Banco Central do Paraguai fechou o Ueno Bank, banco digital com 2,9 milhões de clientes, por falta de solvência. A garantia de depósitos cobre até cerca de R$ 211 mil, mas o pagamento será em etapas e com desconto de dívidas.

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Ueno Bank: clientes em fila diante de agência fechada no Paraguai
Clientes sem acesso às contas diante de agência fechada, com policiamento reforçado. Imagem ilustrativa: Vector News

Um em cada três paraguaios ficou de uma hora para outra sem acesso à própria conta. O Ueno Bank, banco digital com mais de 2,9 milhões de clientes num país de cerca de 6,1 milhões de habitantes, foi fechado pelo Banco Central do Paraguai (BCP) por falta de solvência. Quem tinha dinheiro lá vai receber de volta até 228 milhões de guaranis, cerca de R$ 211 mil, mas não de uma vez e com desconto de eventuais dívidas com o próprio banco.

Segundo a Bloomberg Línea, o BCP concluiu que o índice de solvência do banco havia caído abaixo do mínimo exigido, de 50%, depois de ajustes nos balanços, e colocou o Ueno em processo de fechamento. O Economic News Brasil informa que a resolução bancária foi determinada em 2 de novembro.

O que aconteceu com o Ueno Bank

O Ueno Bank era um dos maiores bancos do Paraguai em número de clientes, com mais de 3 milhões de transações por dia. Pelo app, os clientes passaram a ver a mensagem “Não é possível exibir seu saldo. Por favor, tente novamente mais tarde”. Nas ruas de Assunção e de Ciudad del Este, centenas de pessoas se aglomeraram em frente às agências.

A crise pegou muita gente de surpresa. Segundo a Bloomberg Línea, horas antes do anúncio o banco ainda incentivava novos depósitos, oferecendo 50% de desconto em compras no cartão de crédito para quem mantivesse o dinheiro aplicado até 7 de novembro. “Isso me pegou completamente de surpresa”, disse a cliente Rocío Zárate, que havia feito uma transferência na madrugada.

A Polícia Nacional entrou em alerta máximo de segurança e enviou policiais a agências em todo o país. Em Nemby, um cliente quebrou a porta de vidro de uma agência e se feriu na perna, segundo o jornal paraguaio Última Hora.

Quanto os clientes do Ueno Bank vão receber

O Paraguai tem um Fundo de Garantia de Depósitos, parecido com o FGC brasileiro. Segundo o Economic News Brasil, a garantia cobre até 228,3 milhões de guaranis por depositante, o que equivale a cerca de R$ 211 mil, ou US$ 37,4 mil. O limite vale para pessoas físicas e empresas e considera o total que o cliente tinha no banco, e não cada conta separadamente.

De acordo com autoridades citadas pela Bloomberg Línea, cerca de 97% dos correntistas têm saldos dentro desse limite. Ou seja, a grande maioria deve recuperar todo o dinheiro coberto pela garantia.

Há, porém, três detalhes importantes. O primeiro pagamento será de até 10 milhões de guaranis, cerca de R$ 9,2 mil, e quem tem mais que isso vai esperar as próximas etapas. O banco vai descontar dívidas do cliente, como faturas de cartão e empréstimos, antes de devolver o dinheiro. E o prazo legal, de até 15 dias corridos pela Lei nº 2.334, de 2003, pode ser prorrogado por mais 15 dias.

“Com tanta tecnologia disponível hoje em dia, como isso pode demorar 15 dias?”, questionou a estudante de enfermagem Deisy Asva, cliente do banco, à Bloomberg Línea.

Infográfico Ueno Bank: clientes afetados, garantia de depósitos e prazos
O tamanho da crise do Ueno Bank e o que os clientes podem recuperar. Infográfico: Vector News

Aposentados e comércio também foram atingidos

O impacto vai além das contas de pessoas físicas. Mais de 32 mil aposentados recebiam os benefícios do Instituto de Previsión Social (IPS), a previdência paraguaia, pelo Ueno. Segundo a Bloomberg Línea, o próprio IPS tem cerca de US$ 300 milhões depositados no banco.

O comércio sentiu o golpe na hora. A associação de importadores e varejistas do país alertou para uma “semiparalisia” nas vendas, já que dois terços das transações eletrônicas em grandes varejistas passavam por contas do Ueno. Sem acesso ao banco, lojistas e consumidores ficaram sem uma das principais formas de pagar e receber.

Investigação e o elo com o presidente Santiago Peña

O Ministério Público do Paraguai abriu investigação e emitiu mandados de prisão contra pelo menos oito pessoas ligadas ao Ueno, segundo a Bloomberg Línea. Entre os alvos está Miguel Vázquez, presidente do Grupo Vázquez, acionista controlador do banco. As reportagens consultadas não trazem manifestação do grupo, e a investigação ainda está em andamento, sem condenação.

O caso também tem peso político. O presidente do Paraguai, Santiago Peña, já foi investidor na holding do Ueno e vendeu sua participação em março de 2025, segundo a Bloomberg Línea. Não há, nas reportagens, indicação de ligação entre a venda e a crise. Reportagens também citam pressão sobre o comando do Banco Central do Paraguai, com relatos de saída ou pedido de renúncia do presidente da autoridade monetária, ponto que ainda precisa de confirmação oficial.

O Banco Central do Paraguai descreveu os problemas do Ueno como isolados e afirmou que o sistema financeiro do país continua saudável. A Defensoria del Pueblo pediu que a devolução do dinheiro seja acelerada.

Brasileiros com conta no Ueno Bank

O Paraguai atrai muitos brasileiros, seja pelo comércio na fronteira, seja por quem decide morar no Paraguai. Segundo o Economic News Brasil, a garantia de depósitos protege também estrangeiros, inclusive brasileiros, dentro dos mesmos limites.

Ainda não há, porém, orientação sobre como serão feitos os pagamentos a quem mora no Brasil ou as transferências para contas brasileiras. Quem tem dinheiro no Ueno Bank deve acompanhar os comunicados oficiais do Banco Central do Paraguai e desconfiar de qualquer pessoa que ofereça ajuda paga para recuperar o valor, um golpe comum nesse tipo de situação.

Isso pode acontecer com um banco no Brasil?

Bancos também quebram no Brasil, e é para isso que existe o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Ele cobre até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ em cada instituição, com teto de R$ 1 milhão a cada quatro anos, para aplicações como conta corrente, poupança, CDB e LCI. Ou seja, a lógica é parecida com a do Paraguai, mas o limite brasileiro é um pouco maior.

O caso do Ueno Bank deixa lições para qualquer correntista. Concentrar todo o dinheiro numa única instituição aumenta o risco. Promoções muito agressivas para atrair depósitos podem ser sinal de que o banco precisa de caixa. E, num mundo de bancos digitais, a confiança é o principal ativo: quando ela some, o app pode parar de mostrar o saldo em questão de horas. A segurança dos sistemas também pesa, como mostrou o caso da Fits e os ataques aos pagamentos digitais.

O que acontece agora com o Ueno Bank

Os próximos dias serão decisivos. O BCP precisa divulgar o calendário completo de pagamentos e os procedimentos para estrangeiros. O Ministério Público segue com a investigação sobre os responsáveis. E o governo terá de lidar com o desgaste político de uma crise que atingiu um terço da população.

Para os clientes, a orientação é acompanhar apenas os canais oficiais, conferir o saldo que tinham antes do fechamento e verificar se existem dívidas que serão descontadas. “Não sei como estará esse fundo daqui a 10 anos”, disse à Bloomberg Línea a cliente María Elena González, resumindo a desconfiança que o caso do Ueno Bank deixou no Paraguai. Para empresas de qualquer setor, fica o recado de que reputação se constrói com transparência e comunicação clara, inclusive em canais próprios, antes que uma crise aconteça.

Redação Vector News
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