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Google perde mais de US$ 500 bilhões na Bolsa e acende alerta sobre o futuro das buscas com IA

A Alphabet perdeu mais de US$ 500 bilhões em valor de mercado após resultados abaixo das expectativas de Wall Street. Desaceleração da publicidade nas buscas, avanço da IA e investimentos bilionários explicam a reação dos investidores.

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Ações do Google caem após balanço da Alphabet, com logotipo da empresa e gráfico de queda
Alphabet enfrenta forte queda na Bolsa após desaceleração das receitas de buscas e aumento dos investimentos em inteligência artificial. Imagem ilustrativa: Vector News.

As ações do Google registraram uma forte queda nesta quinta-feira (29), depois que a Alphabet divulgou resultados trimestrais que aumentaram as dúvidas sobre a rentabilidade da inteligência artificial. Os papéis chegaram a recuar cerca de 13%, eliminando mais de US$ 500 bilhões em valor de mercado. O movimento chamou a atenção porque a empresa continua crescendo, mas seu principal negócio, a publicidade nas buscas, começou a apresentar sinais de desaceleração.

O balanço do terceiro trimestre de 2026 revelou uma receita total de US$ 127,6 bilhões, crescimento de 25% em relação ao mesmo período do ano anterior. Apesar do avanço, o resultado ficou abaixo de parte das projeções de Wall Street, enquanto o lucro líquido caiu aproximadamente 25%, para US$ 26,2 bilhões.

O problema mais sensível está no mecanismo de buscas. A receita do Google Search e serviços relacionados cresceu 12% na comparação anual, depois de uma expansão de 17% no trimestre anterior. Ao mesmo tempo, a Alphabet acelera os investimentos em infraestrutura de inteligência artificial e enfrenta o desafio de transformar novas experiências de pesquisa em receita publicitária.

Para anunciantes, agências e empresas que dependem do tráfego do Google, os números trazem uma discussão importante: se a maneira de pesquisar está mudando, como as marcas devem se preparar para continuar sendo encontradas pelos consumidores?

Ações do Google: crescimento da receita de buscas desacelera de 17% para 12%, enquanto Google Cloud avança 103%
Receita de buscas desacelerou de 17% para 12% de crescimento, enquanto o Google Cloud avançou 103% no terceiro trimestre de 2026. Fonte: Alphabet. Arte: Vector News

Ações do Google: por que a Alphabet perdeu US$ 500 bilhões?

A queda das ações do Google reflete a combinação de três fatores: desaceleração da publicidade nas buscas, investimentos extraordinários em inteligência artificial e preocupação com a geração de caixa. Mesmo com o crescimento expressivo da receita consolidada, investidores passaram a questionar o retorno financeiro dos gastos necessários para disputar a liderança em IA.

Segundo a Reuters, a reação negativa começou após a apresentação dos resultados na quarta-feira (28), quando os papéis recuaram cerca de 10% nas negociações posteriores ao fechamento. A pressão continuou no pregão seguinte.

O mercado também observou a diferença entre crescimento e lucratividade. Uma empresa pode aumentar suas vendas e, simultaneamente, apresentar lucro menor caso enfrente despesas elevadas, perdas financeiras ou investimentos muito acima da geração imediata de caixa.

No caso da Alphabet, uma perda contábil de US$ 8,7 bilhões relacionada a investimentos em participações acionárias também contribuiu para a redução do lucro líquido. Portanto, não seria correto atribuir toda a queda do resultado operacional à inteligência artificial.

1. Crescimento das buscas cai de 17% para 12%

O primeiro alerta para as ações do Google veio do negócio que ajudou a transformar a Alphabet em uma das empresas mais valiosas do mundo. A receita de buscas e outros serviços relacionados alcançou aproximadamente US$ 63,4 bilhões no terceiro trimestre, avanço de 12% sobre o ano anterior.

O desempenho continua positivo, mas representa uma desaceleração em relação ao crescimento de 17% registrado no segundo trimestre. Para investidores, a diferença importa porque a publicidade nas pesquisas tradicionalmente financia uma parcela relevante das operações e dos investimentos da companhia.

O próprio Google destacou, em seu balanço oficial apresentado à SEC, que o crescimento anual do volume de consultas atingiu seu ritmo mais alto em cinco anos. Isso cria um contraste importante: as pessoas continuam pesquisando, mas o crescimento da receita não acompanha necessariamente a expansão da atividade.

Uma das explicações investigadas pelo mercado envolve a adoção de experiências de busca baseadas em IA, que apresentam respostas mais completas diretamente na interface. Esse formato modifica os espaços disponíveis para publicidade e pode alterar o comportamento dos usuários diante dos links tradicionais.

2. Inteligência artificial muda a monetização das pesquisas

A popularização de ferramentas conversacionais criou uma nova maneira de encontrar informações. Em vez de digitar poucas palavras e analisar uma lista de páginas, o usuário pode formular perguntas completas e receber respostas sintetizadas por modelos de inteligência artificial.

Essa transformação não significa o desaparecimento do Google, mas pode modificar a distribuição da atenção e do dinheiro investido em publicidade. A empresa precisa encontrar formas de monetizar novas experiências sem comprometer a utilidade das respostas apresentadas aos usuários.

Segundo reportagem do Los Angeles Times, executivos reconheceram que consultas realizadas no AI Mode ainda apresentam monetização inferior à das pesquisas tradicionais. A companhia trabalha para ampliar as possibilidades de publicidade nesse ambiente.

Para as ações do Google, a questão é central: aumentar a utilização da IA não basta se cada interação gerar menos receita ou exigir custos de processamento mais elevados.

Isso também interessa diretamente às marcas. A evolução das buscas pode alterar a jornada do consumidor, desde a descoberta de uma empresa até a comparação de produtos e a decisão de compra.

3. Google investe bilhões e geração de caixa fica negativa

O terceiro fator está na dimensão dos investimentos necessários para sustentar os serviços de inteligência artificial. A Alphabet aplicou aproximadamente US$ 51,4 bilhões em despesas de capital durante o terceiro trimestre de 2026, principalmente em infraestrutura tecnológica.

Os gastos incluem estruturas de computação e capacidade necessária para atender à demanda por serviços de nuvem e IA. Como consequência, o fluxo de caixa livre ficou negativo em US$ 9,1 bilhões no período.

A companhia projeta investimentos de capital entre US$ 195 bilhões e US$ 205 bilhões em 2026 e indicou a possibilidade de ampliar significativamente essas despesas em 2027.

Esse cenário ajuda a explicar a reação das ações do Google. Investidores não questionam apenas se a inteligência artificial será importante no futuro, mas também quando os investimentos atuais produzirão retornos financeiros proporcionais.

Para empresas de tecnologia, o desafio envolve equilibrar expansão, inovação e rentabilidade. Acelerar investimentos pode criar vantagens competitivas, mas também aumenta a pressão sobre margens e geração de caixa.

Google Cloud cresce 103% e vira contraponto às buscas

Nem todos os indicadores do balanço foram negativos. O Google Cloud apresentou crescimento de 103% na comparação anual, alcançando aproximadamente US$ 30,7 bilhões em receita trimestral.

A divisão foi impulsionada pela demanda de empresas por infraestrutura de computação, plataformas de inteligência artificial e serviços de nuvem. Esse desempenho mostra que a Alphabet também consegue transformar a expansão da IA em oportunidades comerciais fora do mecanismo tradicional de buscas.

O crescimento reforça uma característica do mercado atual: a mesma tecnologia que ameaça transformar determinados modelos de receita também pode criar fontes de faturamento em outras áreas.

Mesmo assim, o desempenho do Cloud não foi suficiente para impedir a queda das ações do Google. A desaceleração da publicidade e a necessidade de financiar investimentos elevados dominaram a interpretação dos investidores.

O que muda para empresas que anunciam no Google Ads?

Para anunciantes, o balanço não determina automaticamente um aumento ou uma redução nos preços dos anúncios. O custo das campanhas continua dependendo de fatores como concorrência, qualidade dos anúncios, segmentação, intenção de compra e dinâmica dos leilões.

Entretanto, mudanças na interface de pesquisa podem afetar a maneira como consumidores encontram informações e interagem com publicidade. Uma experiência com respostas geradas por IA pode apresentar formatos comerciais diferentes daqueles encontrados nos resultados tradicionais.

Empresas que dependem do Google Ads devem acompanhar métricas como custo por aquisição, taxa de conversão, participação de impressões e retorno sobre investimento, comparando o desempenho antes e depois de mudanças significativas na plataforma.

Também é importante não atribuir automaticamente oscilações de campanha à inteligência artificial. Preços, sazonalidade, concorrência e alterações no próprio negócio podem explicar parte dos resultados.

SEO vai perder importância com o crescimento da IA?

A mudança no comportamento das buscas não elimina a necessidade de produzir conteúdo relevante. Pelo contrário, reforça a importância de informações claras, verificáveis e publicadas em páginas que possam ser encontradas e compreendidas pelos mecanismos de pesquisa.

Uma empresa que mantém conteúdos atualizados sobre seu setor pode ampliar suas oportunidades de descoberta, mas não existe garantia de que determinada página será citada ou recomendada por sistemas de IA.

Para quem acompanha as ações do Google, o momento representa uma transição entre modelos de distribuição de informação. Para empresas, representa a necessidade de acompanhar a evolução do tráfego orgânico, as fontes de visitantes e os canais que efetivamente geram negócios.

Estratégias de SEO e presença digital continuam relevantes para organizar informações, aprimorar a experiência dos usuários e desenvolver ativos próprios que não dependam exclusivamente de anúncios.

Marcas precisam construir audiência além das plataformas

O crescimento de ferramentas de IA também reforça o debate sobre a dependência das grandes plataformas digitais. Empresas que concentram toda a aquisição de clientes em um único canal ficam mais expostas a alterações de algoritmos, formatos publicitários e condições comerciais.

Uma alternativa é desenvolver canais próprios de relacionamento, combinando site, conteúdo editorial, newsletters e bases de clientes que autorizem receber comunicações.

O Vector News já abordou a importância da comunicação direta na reportagem sobre o WhatsApp como canal de vendas. O princípio é semelhante: diversificar os pontos de contato pode reduzir a dependência de uma única fonte de audiência.

A construção de autoridade também envolve executivos e especialistas capazes de representar conhecimento legítimo em seus mercados, tema discutido na reportagem sobre CEOs no LinkedIn.

Essas iniciativas não substituem necessariamente a publicidade paga. Elas ampliam as possibilidades de relacionamento e permitem que as marcas desenvolvam presença digital mais consistente no longo prazo.

O que esperar das ações do Google nos próximos meses?

O futuro das ações do Google dependerá de como a Alphabet conseguirá equilibrar crescimento de receita, monetização da inteligência artificial e retorno sobre os investimentos em infraestrutura.

Entre os indicadores mais importantes estão a evolução da publicidade nas buscas, o desempenho do Google Cloud, o fluxo de caixa livre e a capacidade de incorporar novos formatos comerciais aos produtos de IA.

Para investidores, os resultados mostram que crescimento acelerado não é suficiente quando as expectativas já são elevadas. Para anunciantes e empresas, a mensagem é diferente, mas igualmente relevante: o ambiente de descoberta de informações está passando por uma transformação estrutural.

A queda superior a 13% registrada nesta quinta-feira não significa que o Google perdeu sua posição no mercado. Ela mostra que Wall Street está exigindo evidências mais claras de que a inteligência artificial poderá fortalecer, e não enfraquecer, um dos negócios publicitários mais rentáveis do mundo.

Enquanto essa resposta não aparece nos balanços, as marcas precisam acompanhar as mudanças nas buscas e compreender onde seus clientes estão encontrando informações. O desafio deixou de ser apenas aparecer nos resultados do Google e passou a incluir a construção de relevância em um ambiente cada vez mais influenciado pela inteligência artificial.

Redação Vector News
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