O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil e chegou a Miami, nos Estados Unidos, na manhã desta quarta-feira, 28 de outubro, depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) determinar a entrega e o cancelamento de seus passaportes. Segundo o Times Brasil, parceiro da CNBC, o avião particular que o levou pousou no aeroporto executivo de Opa-Locka por volta das 10h23, horário de Brasília. A saída acontece três dias depois de ele perder a eleição presidencial no segundo turno.
Veja o que se sabe até agora sobre a decisão do STF, a investigação, o trajeto da viagem e os próximos passos.
Por que o STF mandou apreender o passaporte de Flávio Bolsonaro
O pedido partiu da Polícia Federal no domingo, 25 de outubro, logo depois de o TSE confirmar o resultado da eleição. A PF investiga Flávio Bolsonaro por suspeita de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, segundo a CNN Brasil. Os investigadores apontaram risco de fuga, citando o cenário político após a eleição e o acesso do senador a recursos financeiros.
O ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou a entrega dos passaportes e proibiu viagens internacionais. A decisão também mencionou declarações de Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, que disse em uma entrevista apoiar a saída de Flávio do país em caso de derrota. A PF cancelou os passaportes comum e diplomático, o que gera alertas nos sistemas de migração de portos e aeroportos.
Flávio Bolsonaro não foi condenado e é alvo de investigação. Até a publicação desta reportagem, ele não havia se manifestado publicamente sobre a viagem.

A linha do tempo
- Domingo, 25/10: Flávio Bolsonaro perde o segundo turno da eleição presidencial. A PF pede a apreensão dos passaportes;
- Segunda, 26/10: agentes da PF notificam o senador ao sair da casa do ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília. Ele publica um vídeo confirmando a notificação e negando que pretendia deixar o país, segundo o Times Brasil;
- Terça, 27/10: o prazo para a entrega dos documentos termina sem que os passaportes sejam entregues. Aliados afirmam à CNN que ele havia deixado o Brasil com a família;
- Quarta, 28/10: o avião pousa em Miami.
O trajeto até Miami
De acordo com o Times Brasil, que cita registros do governo argentino, o senador cruzou a Ponte Internacional Tancredo Neves, de Foz do Iguaçu (PR) para Puerto Iguazú, na Argentina, por volta das 22h50 de terça-feira. Cerca de 40 minutos depois, embarcou em um jato particular, um Gulfstream operado pela empresa Baires Fly. A aeronave fez escala em Guayaquil, no Equador, e seguiu para a Flórida sem cruzar o espaço aéreo brasileiro. Ele viajou com três familiares.
As informações sobre a passagem pela Argentina tiveram versões diferentes ao longo do caso. Na terça-feira, o porta-voz do governo argentino, Adrián Ravier, afirmou que não havia pedido de asilo, e a direção de migrações do país chegou a dizer que não tinha registro da entrada, segundo a CNN Brasil. Os registros citados pelo Times Brasil foram divulgados depois.
O papel dos Estados Unidos
Segundo o Times Brasil, o governo dos Estados Unidos anunciou na terça-feira que concederia vistos a Flávio Bolsonaro e à família, e o presidente Donald Trump disse publicamente que aprovava a viagem. Autoridades americanas confirmaram à agência Reuters a chegada do grupo ao país, de acordo com a CNN Brasil.
A posição americana deve ter peso em qualquer tentativa da Justiça brasileira de obter o retorno do senador, já que pedidos de extradição dependem de tratados e da análise do país que recebe a solicitação. Brasil e Estados Unidos têm um tratado de extradição em vigor desde a década de 1960, mas cada pedido passa por análise da Justiça e do governo americano.
Reação política
Dentro do PL, aliados avaliam que a saída do país prejudica o movimento bolsonarista e cobram que o senador grave um vídeo ou divulgue uma nota explicando a situação, segundo a CNN Brasil. Deputados do PT pediram ao STF medidas adicionais, como o bloqueio de bens de até R$ 6 bilhões. O pedido ainda aguarda análise.
A defesa informou à CNN que não sabia onde o senador estava e que esperava encontrá-lo para recolher os passaportes.
Quem é Flávio Bolsonaro
Filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro foi eleito senador pelo Rio de Janeiro em 2018, depois de mandatos como deputado estadual. Em 2026, foi o candidato do PL à Presidência da República e chegou ao segundo turno, mas foi derrotado. O mandato no Senado, conquistado em 2018, termina em 31 de janeiro de 2027.
O que acontece com o mandato de Flávio Bolsonaro
A saída do país não implica perda automática do cargo. O regimento do Senado prevê regras para faltas e licenças, e eventuais punições dependem de processos internos e da evolução da investigação no STF. Como o mandato termina no fim de janeiro, o efeito prático mais imediato tende a ser sobre a investigação e sobre a situação dos bens do senador no Brasil.
Impacto no mercado
A semana pós-eleição já vinha sendo de forte volatilidade na bolsa e nos juros futuros. O Ibovespa teve a maior queda em décadas na segunda-feira, como mostramos na cobertura do balanço das big techs. Episódios de tensão institucional costumam aumentar a percepção de risco de investidores estrangeiros e pressionar o dólar, que opera perto de R$ 5,35 nesta quarta-feira, com o mercado também atento à decisão de juros do Federal Reserve.
A instabilidade política é um dos fatores que explicam o salto nas buscas de brasileiros por informações sobre como viver fora do país após a eleição. O tema é tratado em morar no Paraguai: buscas disparam após a eleição.
Próximos passos
Os próximos dias devem trazer uma manifestação pública do senador, a análise dos pedidos de bloqueio de bens no STF e possíveis medidas da Justiça brasileira em relação à permanência dele no exterior. A Vector News acompanha o caso Flávio Bolsonaro e seus efeitos sobre a política e a economia.
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