O Ibovespa hoje segue pressionado três dias depois do segundo turno da eleição presidencial. Por volta das 12h40 desta quarta-feira, 28 de outubro, o principal índice da bolsa brasileira caía 2,70%, aos 170.966 pontos, e voltava ao patamar dos 170 mil, segundo a Suno. O dólar subia 0,39%, cotado a R$ 5,37. O mercado também aguarda a decisão de juros do Federal Reserve, o banco central americano, nesta tarde.
Veja como a bolsa reagiu desde o resultado da eleição, as ações que mais caíram e subiram e o que analistas dizem sobre os próximos dias.
A semana mais turbulenta em anos
A queda desta quarta-feira dá sequência a um dos piores momentos da bolsa na história recente. Na segunda-feira, 26 de outubro, o primeiro pregão após a reeleição do presidente Lula, o Ibovespa despencou 13,88% e fechou aos 176.608 pontos, a maior perda percentual desde março de 2020, segundo a Exame. No pior momento do dia, o índice chegou a cair 17,34%.
A B3 acionou o circuit breaker ainda no leilão de pré-abertura, porque a projeção indicava queda superior a 20%, e as negociações ficaram suspensas por 30 minutos. Foi a primeira paralisação desde 2020. No mesmo dia, o dólar à vista disparou 8,21%, para R$ 5,40, a maior alta diária desde 1999. O volume negociado chegou a R$ 88,6 bilhões, cerca de três vezes a média.
Na terça-feira, 27, o índice recuou mais 0,51% e fechou aos 175.710 pontos, segundo o InfoMoney. No começo de outubro, depois do primeiro turno, o Ibovespa havia renovado o recorde histórico, aos 209.713 pontos.

Por que a bolsa caiu tanto
Segundo a Exame, parte dos investidores apostava em outro resultado e em uma mudança mais rápida na política fiscal. Muitos haviam comprado ações e vendido dólares antecipando esse cenário. Com a reeleição de Lula, essas posições foram desfeitas de uma só vez, o que amplificou a queda.
O banco UBS avaliou que o governo precisará apresentar evidências concretas de compromisso com o ajuste das contas públicas, já que a campanha acrescentou promessas de gastos depois do primeiro turno. A Instituição Fiscal Independente (IFI) estima em cerca de R$ 94 bilhões o impacto fiscal dessas promessas, segundo André Matos, da MA7 Capital, ouvido pela Exame.
Nesta quarta, o mercado também acompanha os possíveis desdobramentos da viagem do senador Flávio Bolsonaro a Miami, além dos balanços de Santander Brasil, Klabin e Hypera.
Ibovespa hoje: as maiores quedas
As ações mais ligadas ao consumo doméstico e aos juros lideram as perdas desta quarta, segundo a Suno:
- Casas Bahia (BHIA3): -14,29%;
- Vamos (VAMO3): -12,71%;
- Braskem (BRKM5): -12,70%;
- Magazine Luiza (MGLU3): -12,35%;
- Raízen (RAIZ4): -12,12%.
Bancos também recuam, com Bradesco caindo 5,28% e Banco do Brasil, 2,82%. Na segunda-feira, as maiores quedas tinham sido de empresas como Vamos, C&A, Cosan, MRV, Assaí, Magazine Luiza e a própria B3, com perdas próximas de 50%.
Quem sobe em meio à queda
As exportadoras são as poucas que resistem. Elas faturam em dólar e se beneficiam da alta da moeda americana. Nesta quarta, sobem Qualicorp (+3,01%), PRIO (+2,26%), WEG (+2,01%), São Martinho (+1,76%) e Suzano (+1,49%). Na segunda, Suzano, Vale e Embraer também tinham subido. A Embraer, aliás, vive um bom momento com a carteira de pedidos, como mostramos em carteira de pedidos da Embraer.
O que dizem os analistas
Para Fábio Murad, da Wiser Asset, o circuit breaker “confirma a intensidade das vendas, mas não prevê sua duração”, e ainda não é possível falar em tendência prolongada de baixa. André Matos, da MA7 Capital, divide a queda em duas partes: uma técnica, considerada exagerada e que pode ser corrigida em dias, e uma estrutural, que “só se resolve com fatos”. Ele lembra 2002, quando o mercado se acalmou depois da indicação de uma equipe econômica comprometida com as contas públicas.
Na análise gráfica, o índice está em região de sobrevenda, o que aumenta a chance de repiques, mas os vendedores seguem no controle. O suporte mais importante fica entre 169,5 mil e 164,8 mil pontos, segundo análise publicada pelo InfoMoney.
O papel do Fed nesta quarta
À tarde, o Federal Reserve anuncia a decisão sobre os juros nos Estados Unidos. Juros mais altos lá tendem a atrair recursos para a economia americana e pressionar o dólar e a bolsa nos países emergentes. Explicamos essa relação em Fed sobe, Copom corta. À noite, saem também os resultados de Microsoft e Alphabet, o que pode mexer com o humor global.
Ibovespa hoje: o que observar até o fechamento
- Decisão do Fed: o tom do comunicado sobre os próximos passos dos juros americanos pode mudar o rumo do pregão na reta final;
- Dólar: uma nova alta acima de R$ 5,40 aumentaria a pressão sobre ações de varejo e empresas endividadas;
- Balanços: os números de Santander Brasil, Klabin e Hypera podem provocar movimentos isolados nas ações dessas empresas;
- Política: notícias sobre a equipe econômica do novo mandato e sobre a situação de Flávio Bolsonaro seguem no radar dos investidores.
Quem quiser acompanhar o Ibovespa hoje em tempo real pode usar o site da B3, aplicativos de corretoras e as coberturas ao vivo dos portais de economia. A Vector News publica o resumo do fechamento com os principais números do dia.
O que muda para empresas e investidores
Para as empresas, o dólar mais alto encarece importações, ferramentas e serviços cotados na moeda americana, como mostramos em como o dólar alto afeta o marketing. Para quem investe, momentos de forte volatilidade costumam punir decisões tomadas no impulso. Este conteúdo é informativo e não constitui recomendação de investimento.
Na Vector Marketing & Conteúdo, ajudamos empresas do mercado financeiro a comunicar cenários como este com clareza para clientes e investidores.
Próximos passos
O mercado vai acompanhar o fechamento do Ibovespa hoje, a reação à decisão do Fed e, nos próximos dias, os sinais do governo sobre a equipe econômica e o compromisso fiscal. A Vector News atualiza a cobertura da bolsa e do dólar ao longo da semana.
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