O primeiro Boletim Focus depois do segundo turno das eleições trouxe um retrato curioso: o mercado reduziu as projeções de inflação, de crescimento e de dólar para 2026, mas fez isso antes de ver o tamanho da reação dos investidores ao resultado das urnas. Divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira, 26 de outubro, o relatório mostra o IPCA de 2026 em 5,19%, a Selic de fim de ano mantida em 13,25% e o dólar projetado em R$ 5,05.
O detalhe importa. Segundo a Gazeta Mercantil, a coleta das estimativas terminou na sexta-feira, 23 de outubro, antes da votação. Na abertura de segunda, com a reeleição do presidente Lula confirmada, o dólar chegou a superar R$ 5,60. Ou seja, o Boletim Focus desta semana é uma fotografia de um cenário que mudou em poucas horas.
Os números do Boletim Focus desta semana
O relatório reúne as projeções medianas de cerca de 100 instituições financeiras e é a principal referência de expectativas da economia brasileira. Veja o que mudou em relação à semana anterior, segundo a Forbes Brasil:
- IPCA de 2026: caiu de 5,22% para 5,19%.
- IPCA de 2027: subiu de 4,32% para 4,34%.
- PIB de 2026: recuou de 1,83% para 1,80%.
- PIB de 2027: passou de 1,32% para 1,31%.
- Selic no fim de 2026: mantida em 13,25%.
- Selic no fim de 2027: caiu de 12% para 11,75%.
- Dólar no fim de 2026: recuou de R$ 5,13 para R$ 5,05.
- Dólar no fim de 2027: caiu de R$ 5,22 para R$ 5,15.

Inflação em queda, mas ainda acima da meta
A projeção de inflação para 2026 recuou, mas continua longe do centro da meta de 3%, perseguida pelo Banco Central, e acima até do teto de tolerância, de 4,5%. Para 2027, o movimento foi o oposto: a estimativa subiu levemente, para 4,34%.
Essa diferença conta uma história. O mercado acredita que a inflação deste ano vai fechar um pouco melhor que o previsto, mas segue desconfiado do próximo ano, quando os efeitos da política fiscal e do câmbio devem pesar mais. Se a alta do dólar observada nesta segunda-feira se sustentar, a tendência é que as próximas edições do Boletim Focus revisem a inflação para cima, já que produtos importados e matérias-primas ficam mais caros.
Selic: cortes à vista, com cautela
Hoje a taxa básica de juros está em 13,75% ao ano, nível definido pelo Copom em setembro. A projeção de 13,25% para dezembro indica que os economistas esperam dois cortes de 0,25 ponto percentual: um na reunião de novembro e outro em dezembro.
Para 2027, a mediana caiu para 11,75%, sinal de que o mercado ainda vê espaço para o ciclo de cortes continuar. A questão é se esse cenário vai resistir ao novo ambiente pós-eleição. Já explicamos aqui como o cabo de guerra entre o Fed e o Copom influencia o dólar, e esse equilíbrio ficou ainda mais sensível.
PIB perde fôlego
A estimativa de crescimento da economia brasileira em 2026 caiu para 1,80%, e a de 2027 para 1,31%. São números modestos, em linha com a revisão feita pelo Fundo Monetário Internacional, que, como mostramos, cortou a previsão do PIB do Brasil para 2,2% e alertou para a trajetória da dívida pública.
Crescimento baixo com juros altos é uma combinação que aperta o caixa das empresas, especialmente as pequenas e médias, que dependem de crédito para capital de giro e investimento.
Por que o Boletim Focus desta semana já nasce desatualizado
Este é o ponto mais importante para quem toma decisões de negócio. As projeções de câmbio, em R$ 5,05 para o fim do ano, foram feitas quando o dólar fechava a sexta-feira em R$ 4,99. Na segunda-feira, a moeda americana chegou a passar de R$ 5,60 nas primeiras negociações, e a B3 ampliou os limites de oscilação dos contratos futuros de dólar e de Ibovespa por causa da volatilidade.
Isso não significa que o Boletim Focus esteja errado, e sim que ele ainda não incorporou a reação do mercado ao resultado eleitoral. A próxima edição, na semana que vem, vai mostrar se os economistas enxergam esse movimento como um ajuste passageiro ou como uma mudança de patamar.
O que o empresário deve fazer agora
Em momentos de incerteza, decisões apressadas costumam custar caro. Alguns cuidados práticos para as próximas semanas:
- Revise contratos atrelados ao dólar: fornecedores, ferramentas de software e insumos importados podem pesar mais no orçamento.
- Proteja o caixa: com juros ainda altos, antecipar recebíveis ou tomar crédito ficou caro. Vale renegociar prazos com fornecedores antes de recorrer ao banco.
- Não corte a presença da marca no impulso: empresas que somem durante a turbulência costumam pagar mais caro para recuperar espaço depois.
- Acompanhe as próximas edições do Focus: a tendência das revisões diz mais do que um número isolado.
Sobre o terceiro ponto, vale lembrar o que mostramos em o marketing bem feito em tempos difíceis: quem mantém a comunicação de forma inteligente sai da crise com mais participação de mercado. Uma das formas de fazer isso sem depender da mídia paga, que fica mais cara quando o dólar sobe, é investir em canais próprios, como portais de conteúdo e SEO, frente em que a Vector Marketing & Conteúdo atua com empresas de diversos setores.
O que esperar dos próximos dias
O mercado vai acompanhar de perto os primeiros sinais do governo reeleito sobre a equipe econômica, as metas fiscais e a relação com o Congresso. Também estão no radar a reunião do Copom de novembro e a temporada de balanços do terceiro trimestre, que vai mostrar como as empresas atravessaram o período eleitoral.
Também vale observar a diferença entre o que o Boletim Focus projeta e o que os preços de mercado indicam. Os juros futuros negociados na B3 e as cotações do dólar reagem em tempo real, enquanto o relatório do Banco Central muda semana a semana. Quando os dois caminham em direções diferentes, como agora, costuma ser o relatório que se ajusta nas edições seguintes.
Até lá, a melhor leitura do Boletim Focus desta semana é como um ponto de partida. Ele mostra onde o mercado estava antes das urnas. A partir de agora, a pergunta é quanto desse otimismo vai sobreviver ao novo cenário, e a Vector News vai acompanhar cada nova edição do relatório.
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