O comércio agêntico deixou de ser tendência distante e já faz parte dos planos do consumidor brasileiro. Segundo o Agentic Commerce Report 2026, da Global Payments, 72% dos brasileiros já testaram ou aceitam deixar um agente de inteligência artificial pesquisar, escolher e comprar produtos por eles. Um ano atrás, esse número era de 39%. Com o salto, o Brasil passou a ser o segundo país mais aberto à novidade entre os sete pesquisados, atrás apenas da China.
Os dados foram divulgados em 14 de outubro e publicados pelo Mercado & Consumo. A pesquisa, feita pela The Lantern, ouviu 8.027 consumidores em maio de 2026 no Brasil, na China, em Singapura, no Reino Unido, na França, nos Estados Unidos e na Austrália.
O que é comércio agêntico
No comércio eletrônico tradicional, o consumidor pesquisa, compara e clica em comprar. No comércio agêntico, quem faz esse caminho é um agente de IA. O usuário diz o que precisa, por exemplo “um tênis de corrida até R$ 500 que chegue até sexta”, e o assistente busca as opções, compara preço, prazo e avaliações e, com autorização, finaliza o pedido.
A tecnologia já está chegando ao dia a dia. Na semana passada, a OpenAI liberou o ChatGPT no Chrome com a capacidade de ler várias abas, comparar produtos e preencher formulários.
Brasil é o segundo do mundo no comércio agêntico
O avanço brasileiro foi o maior entre os países pesquisados: alta de 33 pontos percentuais em um ano. Na China, o aumento foi de 22 pontos. Veja o ranking de consumidores que já testaram ou aceitam usar agentes de IA nas compras, segundo o Startups:
- China: 86%
- Brasil: 72%
- Singapura: 59%
- Reino Unido: 48%
- França: 46%
- Estados Unidos: 45%
- Austrália: 40%
No Brasil, 24% dos consumidores já experimentaram esse tipo de ferramenta e 48% dizem que usariam agora ou nos próximos 12 meses.
A confiança cresce, mas o pagamento ainda preocupa
A confiança do brasileiro em agentes de IA subiu de 3,18 para 3,80 numa escala de 1 a 5, de novo atrás apenas da China (3,97). Ainda assim, entregar a decisão de compra a uma máquina gera receios:
- 50% se preocupam com a segurança dos dados de pagamento;
- 45% temem pela privacidade e pelo uso das informações pessoais;
- 41% têm medo de a IA fazer uma escolha errada;
- 36% não sabem quem é o responsável se algo der errado.
Para Juan Pablo D’Antiochia, gerente-geral de Enterprise para a América Latina da Global Payments, as pessoas “buscam conveniência, mas também querem manter o controle, especialmente na hora de pagar”. Segundo ele, segurança, transparência e controle serão decisivos para o comércio agêntico chegar às compras de maior valor.
O paradoxo: IA para comprar sim, anúncio feito por IA não
Se o consumidor aceita a IA como assistente de compras, o mesmo não vale para a publicidade. Um levantamento da Buzzmonitor publicado pelo Meio & Mensagem analisou 68 mil posts nas redes sociais que citavam IA junto com termos como compra, avaliação e recomendação. O resultado mostra dois lados bem diferentes:
- Pesquisar e comparar com IA: só 15% das menções são críticas. Os usuários contam que usam a IA para montar looks, calcular se um produto vale a pena e comparar carros.
- Anúncios e fotos de produtos feitos com IA: 87% das conversas são negativas, principalmente em roupas e comida. As pessoas chamam as imagens de enganosas e artificiais, e algumas dizem desistir da compra quando percebem.
- Atendimento: o público fica dividido. 38% veem a IA como positiva quando ela simplifica o suporte, e 19% reclamam de não conseguir falar com um humano quando o robô não resolve.
A lição é clara: o consumidor quer a IA trabalhando para ele, não tentando enganá-lo. Já tínhamos mostrado esse risco na matéria sobre conteúdo gerado por IA nas marcas.

Para onde vão as compras nos próximos cinco anos
Os consumidores dos sete países esperam que, em cinco anos, 17% das compras sejam feitas por agentes de IA. É quase o mesmo peso previsto para as lojas físicas (18%) e mais do que os sites das marcas (13%), os buscadores (12%) e os marketplaces (12%). Se a previsão se confirmar, o comércio agêntico vira um dos principais canais de venda do varejo.
Como preparar sua empresa para o comércio agêntico
Quando a IA faz a comparação, quem vende precisa ser escolhido por ela. Algumas medidas fazem diferença desde já:
- Informação clara e legível por máquinas. Preço, prazo, frete, estoque e política de troca precisam estar em texto na página, e não escondidos em imagens. Veja como fazer isso em site para IA.
- Presença nas respostas das IAs. Se a marca não aparece quando o assistente pesquisa, ela fica fora da compra. O caminho está em SEO para IA e em como aparecer no ChatGPT.
- Fotos reais nos anúncios. Com 87% de rejeição, imagem de produto gerada por IA pode custar vendas.
- Atendimento com saída para humano. Use agentes de IA no WhatsApp, mas garanta que o cliente consiga falar com uma pessoa.
- Pagamento seguro e transparente. É a maior preocupação do consumidor e precisa estar visível em cada etapa.
A Vector Marketing ajuda empresas a preparar site e conteúdo para serem encontrados e recomendados por assistentes de IA.
Black Friday 2026 pode ser o primeiro grande teste
A Black Friday, no dia 27 de novembro, deve ser a primeira grande data com assistentes de IA capazes de comparar ofertas em várias lojas ao mesmo tempo. Para quem vende, isso significa uma concorrência mais transparente: o agente encontra o melhor preço e o melhor prazo em segundos. Entenda o comportamento de quem vai às compras na nossa matéria sobre o consumidor da Black Friday.
O comércio agêntico ainda está no começo, mas o consumidor brasileiro já mostrou que está pronto. A pergunta agora é se as empresas também estão.
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