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Comércio agêntico: 72% dos brasileiros já aceitam deixar a IA fazer suas compras

O Brasil é o segundo país mais aberto ao comércio agêntico, com 72% dos consumidores dispostos a deixar agentes de IA comprarem por eles. Ao mesmo tempo, 87% das conversas nas redes criticam anúncios feitos por IA. Entenda o paradoxo e como as empresas devem se preparar.

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· 5 min de leitura

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Comércio agêntico: consumidora usa celular e notebook para fazer compras online
Brasileiros estão entre os mais abertos a deixar agentes de IA fazerem compras

O comércio agêntico deixou de ser tendência distante e já faz parte dos planos do consumidor brasileiro. Segundo o Agentic Commerce Report 2026, da Global Payments, 72% dos brasileiros já testaram ou aceitam deixar um agente de inteligência artificial pesquisar, escolher e comprar produtos por eles. Um ano atrás, esse número era de 39%. Com o salto, o Brasil passou a ser o segundo país mais aberto à novidade entre os sete pesquisados, atrás apenas da China.

Os dados foram divulgados em 14 de outubro e publicados pelo Mercado & Consumo. A pesquisa, feita pela The Lantern, ouviu 8.027 consumidores em maio de 2026 no Brasil, na China, em Singapura, no Reino Unido, na França, nos Estados Unidos e na Austrália.

O que é comércio agêntico

No comércio eletrônico tradicional, o consumidor pesquisa, compara e clica em comprar. No comércio agêntico, quem faz esse caminho é um agente de IA. O usuário diz o que precisa, por exemplo “um tênis de corrida até R$ 500 que chegue até sexta”, e o assistente busca as opções, compara preço, prazo e avaliações e, com autorização, finaliza o pedido.

A tecnologia já está chegando ao dia a dia. Na semana passada, a OpenAI liberou o ChatGPT no Chrome com a capacidade de ler várias abas, comparar produtos e preencher formulários.

Brasil é o segundo do mundo no comércio agêntico

O avanço brasileiro foi o maior entre os países pesquisados: alta de 33 pontos percentuais em um ano. Na China, o aumento foi de 22 pontos. Veja o ranking de consumidores que já testaram ou aceitam usar agentes de IA nas compras, segundo o Startups:

  1. China: 86%
  2. Brasil: 72%
  3. Singapura: 59%
  4. Reino Unido: 48%
  5. França: 46%
  6. Estados Unidos: 45%
  7. Austrália: 40%

No Brasil, 24% dos consumidores já experimentaram esse tipo de ferramenta e 48% dizem que usariam agora ou nos próximos 12 meses.

A confiança cresce, mas o pagamento ainda preocupa

A confiança do brasileiro em agentes de IA subiu de 3,18 para 3,80 numa escala de 1 a 5, de novo atrás apenas da China (3,97). Ainda assim, entregar a decisão de compra a uma máquina gera receios:

  • 50% se preocupam com a segurança dos dados de pagamento;
  • 45% temem pela privacidade e pelo uso das informações pessoais;
  • 41% têm medo de a IA fazer uma escolha errada;
  • 36% não sabem quem é o responsável se algo der errado.

Para Juan Pablo D’Antiochia, gerente-geral de Enterprise para a América Latina da Global Payments, as pessoas “buscam conveniência, mas também querem manter o controle, especialmente na hora de pagar”. Segundo ele, segurança, transparência e controle serão decisivos para o comércio agêntico chegar às compras de maior valor.

O paradoxo: IA para comprar sim, anúncio feito por IA não

Se o consumidor aceita a IA como assistente de compras, o mesmo não vale para a publicidade. Um levantamento da Buzzmonitor publicado pelo Meio & Mensagem analisou 68 mil posts nas redes sociais que citavam IA junto com termos como compra, avaliação e recomendação. O resultado mostra dois lados bem diferentes:

  • Pesquisar e comparar com IA: só 15% das menções são críticas. Os usuários contam que usam a IA para montar looks, calcular se um produto vale a pena e comparar carros.
  • Anúncios e fotos de produtos feitos com IA: 87% das conversas são negativas, principalmente em roupas e comida. As pessoas chamam as imagens de enganosas e artificiais, e algumas dizem desistir da compra quando percebem.
  • Atendimento: o público fica dividido. 38% veem a IA como positiva quando ela simplifica o suporte, e 19% reclamam de não conseguir falar com um humano quando o robô não resolve.

A lição é clara: o consumidor quer a IA trabalhando para ele, não tentando enganá-lo. Já tínhamos mostrado esse risco na matéria sobre conteúdo gerado por IA nas marcas.

Comércio agêntico: ranking de países e o que o brasileiro aceita e rejeita na IA
Brasil é o segundo país mais aberto aos agentes de IA nas compras, mas rejeita anúncios feitos por IA. Arte: Vector News

Para onde vão as compras nos próximos cinco anos

Os consumidores dos sete países esperam que, em cinco anos, 17% das compras sejam feitas por agentes de IA. É quase o mesmo peso previsto para as lojas físicas (18%) e mais do que os sites das marcas (13%), os buscadores (12%) e os marketplaces (12%). Se a previsão se confirmar, o comércio agêntico vira um dos principais canais de venda do varejo.

Como preparar sua empresa para o comércio agêntico

Quando a IA faz a comparação, quem vende precisa ser escolhido por ela. Algumas medidas fazem diferença desde já:

  • Informação clara e legível por máquinas. Preço, prazo, frete, estoque e política de troca precisam estar em texto na página, e não escondidos em imagens. Veja como fazer isso em site para IA.
  • Presença nas respostas das IAs. Se a marca não aparece quando o assistente pesquisa, ela fica fora da compra. O caminho está em SEO para IA e em como aparecer no ChatGPT.
  • Fotos reais nos anúncios. Com 87% de rejeição, imagem de produto gerada por IA pode custar vendas.
  • Atendimento com saída para humano. Use agentes de IA no WhatsApp, mas garanta que o cliente consiga falar com uma pessoa.
  • Pagamento seguro e transparente. É a maior preocupação do consumidor e precisa estar visível em cada etapa.

A Vector Marketing ajuda empresas a preparar site e conteúdo para serem encontrados e recomendados por assistentes de IA.

Black Friday 2026 pode ser o primeiro grande teste

A Black Friday, no dia 27 de novembro, deve ser a primeira grande data com assistentes de IA capazes de comparar ofertas em várias lojas ao mesmo tempo. Para quem vende, isso significa uma concorrência mais transparente: o agente encontra o melhor preço e o melhor prazo em segundos. Entenda o comportamento de quem vai às compras na nossa matéria sobre o consumidor da Black Friday.

O comércio agêntico ainda está no começo, mas o consumidor brasileiro já mostrou que está pronto. A pergunta agora é se as empresas também estão.

Redação Vector News
Sobre o autor Equipe editorial do Vector News Ver todas as matérias do autor →
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