O roubo da Binance entrou para a história como o maior ataque hacker já registrado no mercado de criptomoedas. Na quinta-feira, 29 de outubro, criminosos desviaram cerca de US$ 6,3 bilhões, o equivalente a R$ 33 bilhões, de carteiras da maior corretora de cripto do mundo. A maior parte do dinheiro saiu em aproximadamente 20 minutos, a partir das 17h05, horário de Brasília, segundo a investigação da TRM Labs.
A pergunta que milhões de brasileiros com conta na plataforma estão fazendo é uma só: o meu dinheiro está seguro? A resposta curta, por enquanto, é que a Binance promete cobrir todas as perdas. A resposta completa tem alguns poréns que você precisa conhecer.
O que se sabe sobre o roubo da Binance
A própria corretora confirmou o ataque em comunicado oficial. A investigação preliminar aponta que tudo pode ter começado no notebook de um engenheiro de DevOps, o profissional que cuida da infraestrutura tecnológica da empresa. Com acesso ao equipamento, os invasores teriam chegado a um sistema interno e autorizado saques sem permissão.
Segundo a Revista Fórum, a Binance afirma não ter encontrado evidências de vazamento das chaves privadas das carteiras. O ataque atingiu dez redes de blockchain, entre elas Bitcoin, Ethereum, Tron, Solana e XRP Ledger.
- Valor desviado: cerca de US$ 6,3 bilhões (R$ 33 bilhões);
- Tempo: a maior parte em aproximadamente 20 minutos;
- Bitcoins levados: 18.270 unidades, perto de US$ 1,47 bilhão;
- Congelados até agora: cerca de US$ 3 bilhões;
- Preparação: pelo menos 36 horas antes do saque, segundo a TRM Labs.

Quem está por trás do ataque
As empresas de análise TRM Labs e Chainalysis atribuíram o roubo da Binance, com alto grau de confiança, ao TraderTraitor, grupo de hackers ligado ao governo da Coreia do Norte. É o mesmo grupo apontado pelo FBI como responsável pelo roubo de US$ 1,5 bilhão da corretora Bybit, em fevereiro de 2025, até ontem o maior da história.
Vale o cuidado: a autoria ainda não foi confirmada por uma investigação policial concluída. A Binance diz trabalhar com autoridades e empresas de segurança para identificar os responsáveis.
Meu dinheiro na Binance está seguro?
A Binance afirma que os clientes não vão arcar com o prejuízo. O co-CEO Richard Teng declarou que os fundos dos usuários estão seguros, e a empresa vai usar o SAFU, seu fundo de emergência, além de recursos próprios para cobrir as perdas.
O detalhe que preocupa: o SAFU tem cerca de US$ 1 bilhão, segundo a própria Binance. O roubo supera essa reserva em mais de seis vezes, como destacou o SBT News. Por isso a cobertura depende do caixa da empresa. Por outro lado, dados da CryptoQuant citados pelo BitNotícias indicam que as reservas da corretora continuam elevadas mesmo depois do ataque.
Saques suspensos: quando voltam
Os depósitos já funcionam normalmente, mas os saques seguem suspensos para revisão dos sistemas. A previsão da Binance é retomar o serviço em até 48 horas, desde que as verificações técnicas sejam concluídas. Até agora, a empresa não apresentou sinais de invasão em massa das contas individuais: o alvo foi a infraestrutura de custódia.
O que fazer se você tem conta na Binance
- Não entre em pânico: com os saques suspensos, não há o que retirar agora, e vender na queda pode transformar susto em prejuízo real;
- Desconfie de mensagens: golpistas aproveitam crises para enviar links falsos de “reembolso” ou “verificação de conta”;
- Reforce a segurança: troque a senha e confirme que a autenticação em dois fatores está ativa;
- Acompanhe só os canais oficiais da corretora para saber quando os saques voltam;
- Repense a concentração: manter todo o patrimônio cripto em uma única corretora é um risco que este caso deixou evidente.
Não é o primeiro roubo da Binance
A corretora já passou por isso antes. Em maio de 2019, no primeiro roubo da Binance, hackers retiraram 7.000 bitcoins, cerca de US$ 40 milhões na época, em uma única transação. Segundo a Bloomberg, eles usaram phishing e vírus para obter dados de usuários. O SAFU cobriu o prejuízo e nenhum cliente perdeu dinheiro.
Em outubro de 2022, uma falha em uma ponte entre blockchains da BNB Chain permitiu que criminosos criassem 2 milhões de tokens BNB, cerca de US$ 570 milhões, de acordo com a NBC News. A rede foi pausada e a perda efetiva ficou bem abaixo disso. O ataque de agora é mais de 150 vezes maior que o de 2019.
Bitcoin cai e mercado sente o golpe
O roubo da Binance provocou uma onda de vendas. O bitcoin chegou perto de US$ 76 mil, a menor cotação em cerca de seis semanas, e o ether recuou mais de 3%. Ações ligadas ao setor nas bolsas americanas, como Coinbase e Strategy, também caíram. Num mercado que já vinha sensível depois da eleição, como mostrou a Vector News na cobertura do Ibovespa pós-eleição, o episódio reforça a aversão a risco.
A lição que vale para qualquer empresa
O caso mostra duas coisas que vão muito além do mundo cripto. A primeira: um único notebook comprometido pode abrir a porta para um prejuízo bilionário, o que coloca a segurança dos funcionários no centro da estratégia de qualquer empresa. A segunda: em uma crise, a forma como a empresa comunica define o tamanho do estrago na confiança. A Binance falou rápido, deu números e prometeu cobertura, e isso ajuda a segurar o pânico.
Ter um canal próprio para falar com clientes e mercado, com informação clara e no momento certo, é um ativo que a Vector Marketing & Conteúdo estrutura para marcas. A Binance prometeu publicar um relatório técnico completo ao fim das investigações, e a Vector News vai atualizar esta matéria sobre o roubo da Binance assim que houver novidades.
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