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André Lara Resende propõe Selic a 7% e encontro com Lula agita a semana do Copom; entenda o plano

Um dos pais do Plano Real, André Lara Resende propõe derrubar a Selic para cerca de 7,5% em um ano e criar uma faixa permanente de juros. Um possível encontro com Lula, negado pela Fazenda, movimentou a semana do Copom. Veja o plano e os argumentos a favor e contra.

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André Lara Resende e a proposta de Selic a 7%
Ilustração: a proposta de André Lara Resende para a Selic movimentou a semana do Copom; o encontro com Lula não foi confirmado pela Fazenda

O economista André Lara Resende, um dos formuladores dos planos Cruzado e Real, voltou ao centro do debate econômico. Ele propõe reduzir a taxa básica de juros, a Selic, para cerca de 7,5% ao ano em 12 meses e, depois, mantê-la de forma permanente numa faixa entre 3% e 5,5%. A notícia de que o presidente Lula se reuniria com ele nesta semana, em Brasília, fez o nome do economista disparar nas buscas, segundo o Diário do RN.

O momento é sensível: esta é a semana de decisão do Copom, o comitê do Banco Central que define a Selic. Abaixo, os cinco pontos para entender o plano, a reação do governo e as críticas.

1. O que propõe André Lara Resende

O plano tem duas etapas e uma mudança institucional, de acordo com a Hora do Povo:

  • Primeira etapa: reduzir a Selic para aproximadamente 7,5% ao ano em 12 meses;
  • Segunda etapa: manter os juros num intervalo permanente entre 3% e 5,5% ao ano;
  • Mudança institucional: criar um conselho para coordenar as políticas fiscal e monetária.

Segundo a BM&C News, a proposta também prevê o uso de reservas internacionais para segurar o câmbio, deslocando parte do controle da inflação para a política cambial.

proposta de André Lara Resende para a Selic
Os pontos da proposta, os argumentos a favor e as críticas

2. O argumento a favor

O diagnóstico de André Lara Resende é que os juros atuais inibem o crescimento, encarecem o serviço da dívida pública e mantêm o Brasil com uma das maiores taxas reais de juros do mundo. Pela conta dele, reduzir o custo médio da dívida de cerca de 13% para 7,5% ao ano poderia gerar uma economia próxima de quatro pontos percentuais do PIB por ano, quando a mudança chegasse a toda a dívida.

Defensores da proposta argumentam que esse dinheiro poderia ser usado em investimento e programas sociais, e que juros menores estimulariam o crédito e a atividade econômica. A ex-ministra Gleisi Hoffmann elogiou publicamente um artigo recente do economista que critica a atual política monetária, segundo a Tribuna do Sertão.

3. As críticas

Do outro lado, economistas fazem alertas importantes. O principal é sobre o uso de reservas internacionais para segurar o câmbio: as reservas funcionam como um seguro do país em crises, e gastá-las para sustentar juros baixos poderia deixar o Brasil mais vulnerável a choques externos.

Há ainda a questão institucional. Desde 2021, o Banco Central tem autonomia formal para definir a Selic com o objetivo de cumprir a meta de inflação. Críticos avaliam que impor uma faixa fixa de juros enfraqueceria essa autonomia e a credibilidade da política monetária, o que poderia pressionar a inflação e, paradoxalmente, os próprios juros de longo prazo.

4. A reação do governo

A agenda do encontro gerou ruído dentro do próprio governo. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou ao jornal Valor Econômico que a reunião estivesse marcada. O presidente do PT, Edinho Silva, criticou o que chamou de especulações na área econômica e reforçou que apenas o ministro da Fazenda fala pelo governo nesse tema.

Até a publicação desta matéria, não havia confirmação oficial do encontro entre Lula e André Lara Resende, nem indicação de que a proposta será adotada.

5. O que muda para empresas e consumidores

Por enquanto, nada. A Selic continua sendo definida pelo Copom, que se reúne nesta semana. A Vector News detalhou as expectativas para a decisão na prévia do Copom de novembro.

Se uma proposta como a de André Lara Resende fosse adotada, os efeitos seriam grandes nos dois sentidos. Juros mais baixos barateariam crédito, financiamentos e capital de giro. Mas, se o mercado perdesse confiança no controle da inflação, o dólar e os juros longos poderiam subir, encarecendo importações e financiamentos de prazo longo. Para empresas, a recomendação é acompanhar o debate sem antecipar decisões com base em propostas ainda não oficiais.

Quem é André Lara Resende

Economista formado pela PUC-Rio e com doutorado pelo MIT, André Lara Resende participou da formulação do Plano Cruzado, em 1986, e do Plano Real, em 1994. Também presidiu o BNDES. Nos últimos anos, tornou-se uma das vozes mais conhecidas na crítica à forma como a política monetária é conduzida no Brasil e no mundo, como lembra a BM&C News.

Juros mexem com o caixa de todas as empresas, e explicar esse tipo de debate com clareza é uma forma de gerar autoridade. A Vector Marketing & Conteúdo estrutura portais de notícias para marcas que querem falar com seu público sobre economia. A Vector News acompanha a decisão do Copom e os próximos passos da proposta de André Lara Resende.

Redação Vector News
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