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Carteira de pedidos da Embraer bate recorde de US$ 35,7 bilhões e garante receita até o fim da década

A Embraer encerrou o terceiro trimestre de 2026 com carteira de pedidos recorde de US$ 35,7 bilhões, alta de 14% em um ano, puxada pelos jatos E2, pela defesa e pelos serviços. Veja os números e o que observar até o balanço de 10 de novembro. Categoria: Negócios

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Carteira de pedidos da Embraer: cauda de um jato E2 ao entardecer
A carteira de pedidos da Embraer chegou a US$ 35,7 bilhões no 3T26. Imagem: Divulgação/Embraer

A carteira de pedidos da Embraer chegou a US$ 35,7 bilhões no terceiro trimestre de 2026, o maior valor da história da fabricante brasileira de aviões. O número, divulgado em 23 de outubro, representa alta de 3% em relação ao trimestre anterior, que já era recorde, e de 14% na comparação com o mesmo período de 2025. Na prática, a empresa tem trabalho contratado para os próximos anos, num momento em que o mercado brasileiro atravessa dias de forte volatilidade depois do segundo turno das eleições.

Os dados foram detalhados pela própria companhia e repercutidos por veículos especializados como o Aeroin e o Seu Dinheiro. Para analistas da XP, o volume de encomendas oferece visibilidade de receita até o fim da década.

O que explica a carteira de pedidos da Embraer em US$ 35,7 bilhões

A carteira de pedidos, também chamada de backlog, é a soma de tudo o que os clientes já encomendaram e a empresa ainda vai entregar ou prestar. Para uma fabricante de aviões, é o principal termômetro da saúde do negócio, porque cada aeronave leva meses para ser produzida e os contratos se estendem por anos.

A carteira de pedidos da Embraer cresceu em todas as frentes. Nenhuma das quatro divisões da empresa encolheu na comparação anual, e duas delas bateram recorde próprio:

  • Aviação Comercial: US$ 15,8 bilhões, alta de 5% no trimestre e de 4% em um ano.
  • Aviação Executiva: US$ 8,2 bilhões, recorde da divisão, com crescimento de 12% em um ano.
  • Defesa & Segurança: US$ 6,1 bilhões, salto de 56% em relação a 2025.
  • Serviços & Suporte: US$ 5,6 bilhões, também recorde, com alta de 14% em um ano.
Infográfico da carteira de pedidos da Embraer no 3T26, com US$ 35,7 bilhões divididos por segmento
A carteira de pedidos da Embraer bateu recorde de US$ 35,7 bilhões no 3T26. Arte: Vector News

Os jatos E2 puxam a aviação comercial

Dentro da carteira de pedidos da Embraer, o destaque do trimestre foi a família E2, a geração mais nova e mais econômica dos jatos regionais da Embraer. Foram 36 novos pedidos firmes e 30 direitos de compra no período, somando 72 pedidos firmes de E2 em 2026.

O maior negócio veio do Grupo Abra, holding que reúne companhias aéreas como Avianca e Gol, com 20 jatos E195-E2 firmes e potencial para chegar a 45 aeronaves, incluindo opções e direitos. A espanhola Binter encomendou mais cinco E195-E2, a luxemburguesa Luxair converteu direitos em pedidos firmes e a japonesa ANA Holdings ampliou sua encomenda para 23 jatos.

Para as companhias aéreas, a lógica é simples: com o petróleo em patamar elevado, avião que gasta menos combustível vira vantagem competitiva. O tema já apareceu na Vector News quando o preço do petróleo passou de US$ 111 com a tensão no Estreito de Ormuz.

Defesa cresce 56% com o KC-390

Na carteira de pedidos da Embraer, a divisão de Defesa & Segurança foi a que mais avançou em termos relativos. A Força Aeroespacial Colombiana encomendou dois cargueiros militares KC-390 Millennium, e a Embraer já soma 43 unidades do modelo e 25 aviões de ataque leve A-29 Super Tucano em pedidos firmes.

O KC-390 tem se consolidado como produto de exportação, disputando espaço com fabricantes americanos e europeus. Cada contrato de defesa costuma incluir manutenção, peças e treinamento por muitos anos, o que reforça a previsibilidade da receita.

Serviços e aviação executiva: as receitas que não dependem só de vender avião

Um detalhe que costuma passar despercebido é o peso da divisão de Serviços & Suporte, que bateu recorde com US$ 5,6 bilhões. No trimestre, a Embraer fechou contratos de manutenção com a Portugália, para uma frota de 19 jatos E190, e com a australiana Alliance Airlines, para 40 aeronaves. O programa Executive Care, voltado a donos de jatos executivos, somou 69 contratos e cerca de US$ 53 milhões.

Esse tipo de receita é recorrente e dá estabilidade à carteira de pedidos da Embraer. A empresa vende o avião uma vez, mas presta serviço durante décadas. Para quem analisa negócios, é o mesmo princípio que faz empresas de software e de assinatura valerem mais: receita contratada e previsível.

Na aviação executiva, a carteira recorde de US$ 8,2 bilhões mostra que a demanda por jatos particulares segue aquecida. No trimestre, a Embraer entregou o primeiro Praetor 600E para a Flexjet, uma das maiores operadoras de propriedade compartilhada de jatos do mundo.

Entregas também batem recorde

A carteira de pedidos da Embraer não é o único número positivo. Segundo o TradeMap, a empresa entregou 66 aeronaves no terceiro trimestre, alta de 6% em um ano, no melhor terceiro trimestre da sua história. Foram 22 jatos comerciais, 41 executivos e 3 aviões de defesa.

No acumulado de janeiro a setembro, as entregas somam 175 aeronaves, 14% a mais que no mesmo período de 2025. A companhia manteve a meta de entregar de 80 a 85 jatos comerciais e de 160 a 170 executivos em 2026.

Por que o número importa no cenário pós-eleição

O recorde chega em uma semana delicada para os ativos brasileiros. Após a reeleição do presidente Lula, o dólar disparou na abertura dos negócios e investidores passaram a cobrar sinais sobre a política fiscal do próximo mandato. Já mostramos aqui como o impacto da eleição nas empresas vai muito além da urna.

Nesse ambiente, empresas exportadoras e com receita em dólar, como a Embraer, costumam ser vistas como proteção. A fabricante vende a maior parte dos seus aviões no exterior, de modo que a alta da moeda americana tende a favorecer seus resultados em reais. Não por acaso, a Embraer aparece entre as ações preferidas de casas como o Safra Invest para atravessar o período de incerteza.

O que observar daqui para a frente

O próximo capítulo será o balanço completo do terceiro trimestre, previsto para 10 de novembro. Nele, o mercado vai conferir se a carteira de pedidos da Embraer está se convertendo em lucro e geração de caixa no ritmo esperado.

Três pontos merecem atenção:

  1. Margens da aviação comercial: vender mais jatos E2 só vale a pena se os custos de produção estiverem sob controle.
  2. Cadeia de suprimentos: a indústria aeronáutica global ainda enfrenta atrasos de peças e motores, o que pode empurrar entregas para o ano seguinte.
  3. Câmbio: o dólar mais alto ajuda a receita, mas parte dos custos também é dolarizada. O efeito final depende do equilíbrio entre os dois lados.

A lição de marca por trás do recorde

Há também uma leitura de marca. A Embraer é uma das poucas empresas brasileiras reconhecidas globalmente em um setor de altíssima tecnologia. Esse reconhecimento não veio só da engenharia, mas de décadas de presença constante em feiras, publicações especializadas e comunicação com clientes e investidores.

Para empresas de qualquer porte, a lição é que reputação também se constrói com conteúdo e presença contínua, e não apenas com campanhas pontuais. É o tipo de estratégia que ajudamos marcas a estruturar na Vector Marketing & Conteúdo, com portais e canais próprios que trabalham pela empresa todos os dias.

Com a carteira de pedidos da Embraer em US$ 35,7 bilhões, a fabricante entra na reta final de 2026 com a agenda cheia. Resta saber se o ambiente econômico vai ajudar a transformar esse volume em resultado, tema que a Vector News vai acompanhar de perto, assim como o cabo de guerra dos juros que mostramos em Fed sobe, Copom corta.

Redação Vector News
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