O Spotify fechou o terceiro trimestre de 2026 com 306 milhões de assinantes Premium, 6 milhões a mais do que no trimestre anterior e 1 milhão acima da própria projeção da empresa. A base de usuários ativos mensais chegou a 788 milhões, alta de 11% em um ano. Mas o dado que mais chamou a atenção do mercado não estava na tabela: na teleconferência com investidores desta quinta-feira (22), o co-CEO Gustav Söderström afirmou que o Spotify está entre as poucas empresas que têm tudo para prosperar na era dos agentes de inteligência artificial.
A tese é simples e ousada. Agentes de IA são ótimos para fazer o que as pessoas preferem não fazer, como resumir documentos, comparar preços ou organizar a agenda. Ouvir música é o oposto disso: ninguém pede a um agente para resumir uma canção. Por isso, segundo o executivo, a ascensão dos assistentes deve funcionar como vento a favor, e não contra, desde que o Spotify seja o serviço escolhido quando alguém pede música a uma IA.
Resposta rápida: o Spotify encerrou o 3º trimestre de 2026 com 306 milhões de assinantes, 788 milhões de usuários e receita de cerca de 5 bilhões de euros. A empresa quer ser o serviço de música acionado por agentes de IA como ChatGPT e Meta Muse.
Os números do Spotify no terceiro trimestre
A receita somou 4,97 bilhões de euros, crescimento de 16% na comparação anual, ou 14% a câmbio constante, segundo a Variety. A receita de assinaturas Premium chegou a 4,49 bilhões de euros, alta de 17%. Já a publicidade, que vinha andando mais devagar, cresceu 10% e somou 482 milhões de euros, puxada pelos canais de venda automatizada de anúncios.
A rentabilidade também avançou. O lucro operacional foi de 672 milhões de euros, com margem de 13,5%, e o fluxo de caixa livre chegou a 735 milhões de euros no trimestre, de acordo com a transcrição da teleconferência. As despesas operacionais subiram 26%, puxadas por marketing e pelos gastos com nuvem e inteligência artificial.
Para o quarto trimestre, o Spotify projeta 818 milhões de usuários, 316 milhões de assinantes e receita de 5,2 bilhões de euros. Se confirmado, o ano fecha com a manutenção de uma marca que a empresa repete com orgulho: pelo menos 25 milhões de novos assinantes por ano desde a abertura de capital, em 2018.

Por que o Spotify vê os agentes de IA como aliados
O temor de parte dos analistas é conhecido: se o usuário passar a pedir tudo a um assistente, o aplicativo perde o contato direto com o cliente, e quem controla a relação passa a ser a empresa dona do agente. Söderström rebateu a ideia afirmando que o consumo de música não está mudando de lugar. Na visão dele, os agentes externos são uma extensão da estratégia de estar presente em todos os lugares, e não uma transferência do relacionamento com o ouvinte.
A estratégia já está em execução. Em setembro, o Spotify lançou a integração com o Muse, agente conversacional da Meta, que permite pedir músicas, montar playlists e salvar faixas por comando de voz ou texto. A empresa também conecta o serviço ao ChatGPT e aos óculos Meta Ray-Ban, segundo o resumo da teleconferência publicado pela BigGo Finance.
Há, porém, um ponto que o mercado notou: o Spotify não divulgou quantas execuções já vêm de agentes. O co-CEO disse apenas que a adoção vai muito bem, sem apresentar números, como destacou o Antihype. Até que esse dado apareça, a tese continua sendo uma aposta, ainda que bem fundamentada.
O que o Spotify faz para não depender só dos agentes
Enquanto disputa espaço nos assistentes de terceiros, o Spotify reforça a própria inteligência. Söderström afirmou que dezenas de milhões de usuários já conversam com o aplicativo em inglês e que o modelo próprio de gosto musical da empresa vem gerando ganhos de dois dígitos na descoberta de conteúdo. Ou seja: quanto melhor o Spotify conhece o ouvinte, mais difícil fica para um agente genérico substituí-lo.
A diversificação também segue. O trimestre teve expansão de podcasts em vídeo, audiolivros e ferramentas para criadores, incluindo a chegada do programa de parcerias e dos audiolivros a novos países, entre eles o Brasil, segundo o ABC Agora. Cada novo formato é mais um motivo para o usuário continuar abrindo o aplicativo, e não apenas falando com um assistente.
A lição do Spotify para as marcas
O movimento do Spotify vai muito além do streaming. Ele antecipa uma pergunta que toda empresa vai precisar responder: quando o cliente pedir uma recomendação a uma IA, a minha marca vai aparecer? Os agentes estão se tornando uma nova porta de entrada para compras, serviços e conteúdo, como já mostramos ao tratar do comércio agêntico.
Para ser a escolha do agente, o Spotify aposta em três frentes: estar integrado aos assistentes, conhecer profundamente o usuário e oferecer conteúdo que nenhuma IA consegue resumir. Para a maioria das empresas, o caminho começa pela base: ter informação própria, clara e atualizada, que as IAs encontrem e citem. É a lógica do que chamamos de SEO para IA, ou GEO.
Nesse cenário, quem depende apenas de mídia paga corre o risco de sumir das respostas. Quem publica com frequência e explica bem o próprio mercado constrói um acervo que trabalha pela marca todos os dias. É exatamente o modelo de portal de notícias para empresas que a Vector Marketing & Conteúdo desenvolve: transformar conhecimento em conteúdo que pessoas e agentes de IA encontram, leem e recomendam.
O Spotify mostrou ao mercado que a era dos agentes não precisa ser uma ameaça. Para ele, e para qualquer marca, a diferença estará em quem se preparar primeiro.
Quer colocar inteligência artificial para trabalhar no marketing da sua empresa?
A Vector desenha a jornada, define o que automatizar e conecta IA, conteúdo e mídia ao seu processo comercial.



