O iPhone Duo, primeiro celular dobrável da Apple, entrou em pré-venda nesta sexta-feira, 16 de outubro de 2026, em mais de 70 países, incluindo o Brasil. Por aqui, o aparelho custa a partir de R$ 21.999 e pode chegar a R$ 30.999 na versão de 2 TB, segundo a Exame. As entregas começam em 23 de outubro. Nos Estados Unidos, o preço inicial é de US$ 1.999, o que faz dele um dos iPhones mais caros da história.
A Apple chega a esse mercado com sete anos de atraso em relação à Samsung, que lançou a categoria. E chega do jeito que costuma fazer: sem ser a primeira, apostando em ser a referência. John Ternus, CEO da Apple, definiu o aparelho como “a mudança mais transformadora do iPhone desde o original”, no comunicado oficial.
O que o iPhone Duo tem
Fechado, o iPhone Duo tem uma tela externa de 5,4 polegadas. Aberto, vira um aparelho de 7,6 polegadas, com tela 50% maior que a do iPhone 18 Pro Max. Segundo a Apple, aberto ele é o iPhone mais fino já fabricado.

- Chip: A20 Pro, fabricado em 2 nanômetros, com até 35% mais desempenho sustentado que o iPhone 17 Pro.
- Bateria: até 31 horas de vídeo na tela interna e 44 horas na externa, com carga de 50% em cerca de 20 minutos.
- Construção: titânio grau 5, Ceramic Shield 2 e resistência à água IP68.
- Câmeras: principal e ultra-angular de 48 MP, mas sem teleobjetiva.
- Conectividade: só eSIM, sem gaveta para chip físico.
Há escolhas que chamam atenção. O iPhone Duo usa Touch ID em vez de Face ID e abre mão da lente telefoto, lembra o MacRumors. São concessões para caber tudo em um corpo dobrável fino. Os recursos de inteligência artificial da nova Siri chegam em versão beta, inicialmente só em inglês.
Isso importa para o consumidor brasileiro. Quem comprar o iPhone Duo agora vai pagar pelo hardware mais avançado da Apple, mas sem acesso completo à inteligência artificial em português no lançamento. Na União Europeia, a nova Siri nem estará disponível de início. O aparelho também exige o iOS 27.1, e a Apple vende acessórios próprios: uma capa por US$ 79 e um modelo Folio com suporte por US$ 129. Além dos mais de 70 países da primeira leva, outros 28 recebem o iPhone Duo a partir de 30 de outubro.
Quanto custa o iPhone Duo no Brasil
Os preços brasileiros, por capacidade:
- 256 GB: R$ 21.999
- 512 GB: R$ 23.499
- 1 TB: R$ 26.499
- 2 TB: R$ 30.999
Para comparar: com o salário mínimo de R$ 1.621, a versão mais barata do iPhone Duo custa mais de 13 salários mínimos. Nos Estados Unidos, a Apple oferece parcelamento de US$ 83,29 por mês em 24 vezes e descontos com troca de aparelho. O conserto também pesa: algumas reparações podem chegar a US$ 1.499 sem o plano de proteção AppleCare+.

Um mercado ainda pequeno, mas que a Apple pode mudar
Os dobráveis ainda são nicho. A IDC projetou 1,25 bilhão de smartphones vendidos no mundo em 2025, dos quais só cerca de 20,6 milhões dobráveis, menos de 2% do total, segundo o Yahoo Finance. A Counterpoint Research estima que o total acumulado de aparelhos dobráveis passe de 100 milhões de unidades até o fim de 2026.
Samsung e Google construíram esse mercado sozinhos por anos. A entrada da Apple tende a mudar a escala, como aconteceu com os relógios inteligentes e os fones sem fio: a categoria existia, mas virou mercado de massa depois que a Apple entrou. Para as rivais, isso é ao mesmo tempo ameaça e oportunidade, porque o iPhone Duo valida a categoria e deve puxar o interesse por dobráveis de todas as marcas.
O momento financeiro ajuda. O valor de mercado da Apple voltou a passar de US$ 5 trilhões, e a empresa tem margem para apostar num produto caro, de produção complexa e volume inicial limitado. Há relatos de estoque restrito por dificuldades de fabricação, o que deve deixar o aparelho difícil de encontrar nas primeiras semanas.
O preço como posicionamento
Na nossa leitura, o preço do iPhone Duo não é só custo de produção. É posicionamento. A Apple não precisa vender dezenas de milhões de unidades no primeiro ano. Precisa que o aparelho vire símbolo de status e de inovação, e preço alto ajuda a construir exatamente isso.
É uma lógica parecida com a do GTA 6, que está redefinindo o teto de preço dos games: quando a marca é forte o bastante, o produto premium normaliza um novo patamar para todo o mercado. Depois do iPhone Duo, um dobrável de R$ 15 mil de outra marca vai parecer barato.
Para o varejo brasileiro, o lançamento chega a cinco semanas da Black Friday 2026. Não espere desconto no iPhone Duo tão cedo, mas o efeito vitrine deve aquecer a procura por celulares premium e por modelos anteriores da Apple, que costumam baixar de preço quando chega um lançamento.
Vale a pena comprar o iPhone Duo agora?
Para a maioria das pessoas, a resposta honesta é esperar. É a primeira geração de um formato novo para a Apple, sem teleobjetiva, com só eSIM e com preço de entrada acima de R$ 20 mil. Primeiras gerações costumam ter ajustes, e as próximas tendem a ser mais completas e, com sorte, mais baratas.
Para quem trabalha com o celular como ferramenta (leitura de documentos, edição, multitarefa) e pode pagar, a tela de 7,6 polegadas pode substituir o tablet no dia a dia. Nesse caso, o iPhone Duo é uma compra mais fácil de justificar.
Um cuidado extra vale para quem compra fora do Brasil para economizar. Como o aparelho é só eSIM, é preciso confirmar se a sua operadora tem suporte e se o modelo comprado no exterior é compatível com as redes daqui. A diferença de preço entre os US$ 1.999 dos Estados Unidos e os R$ 21.999 do Brasil é grande, mas garantia, assistência e impostos na volta podem comer boa parte da economia.
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