As construtoras foram as estrelas da Bolsa nesta sexta-feira. Depois de prévias com vendas em alta no terceiro trimestre, MRV, Cury e Tenda lideraram as altas do Ibovespa. Por trás do movimento, há números sólidos, juros futuros em queda e alguns alertas que o mercado não pode ignorar.
Atualizado em 9 de outubro de 2026
As construtoras viveram um dia de festa na B3. Por volta das 15h desta sexta-feira (9), a MRV subia 17,11%, a R$ 7,53, a Cury avançava 10,45%, a Cyrela ganhava 7,25% e a Tenda tinha alta de 6,31%, segundo o TradeMap. O gatilho foi uma série de prévias operacionais divulgadas na quinta-feira (8), que mostraram vendas e lançamentos em alta no terceiro trimestre.
Os números das construtoras no 3º trimestre
MRV: o destaque do dia. A incorporadora registrou vendas líquidas recorde de R$ 3,04 bilhões, alta de 29,6% em um ano, e lançamentos de R$ 2,65 bilhões, avanço de 12,4%. Foram 11.015 unidades vendidas, com valor médio de R$ 276 mil por apartamento, segundo o Money Times.
Cury: vendas líquidas de R$ 1,8 bilhão na sua participação, alta de 10,7%, e lançamentos de R$ 2,1 bilhões, avanço de 6,9%. A geração de caixa somou R$ 253,6 milhões, o 30º trimestre seguido no positivo. O Itaú BBA classificou os números como melhores que o previsto.
Tenda: lançamentos de R$ 1,52 bilhão, alta de 2,3%, e vendas líquidas de R$ 1,21 bilhão no segmento Tenda, avanço de 10,5%.

Por que as construtoras subiram tanto
Os números ajudaram, mas não explicam tudo. Segundo a Gazeta Mercantil, o pregão combinou as prévias com uma nova queda dos juros futuros de longo prazo. Construtoras estão entre as empresas mais sensíveis aos juros: quando o mercado projeta crédito mais barato à frente, o valor esperado dos lucros futuros do setor sobe, e as ações acompanham.
A queda dos juros futuros, por sua vez, acontece em meio à leitura do mercado sobre o cenário eleitoral, como analisou a InfoMoney. Ou seja, parte da alta é resultado operacional e parte é aposta sobre o futuro, como já mostramos ao analisar a Bolsa depois da eleição.
Os alertas por trás dos números das construtoras
Nem tudo foi celebração. Três pontos merecem atenção:
- Greve da Caixa. A paralisação atrasou repasses de financiamento. Na MRV, o efeito negativo sobre o caixa foi de cerca de R$ 80 milhões, segundo a ADVFN.
- Caixa da MRV veio de fora. A geração de caixa consolidada de R$ 456 milhões foi impulsionada pela venda de ativos da subsidiária americana Resia. Em termos ajustados, a operação de incorporação no Brasil teve leve consumo de caixa.
- Crédito mais duro. Segundo análise publicada pela Empiricus, a leitura do setor foi mista: sem piora estrutural da demanda, mas com condições de financiamento mais apertadas reduzindo a conversão de vendas brutas em vendas líquidas.
O que o caso das construtoras ensina às empresas
Com a inflação acima do teto da meta, como mostramos em IPCA de setembro, chama atenção que o segmento de moradia popular siga vendendo em ritmo forte. A explicação passa por uma demanda grande e reprimida por habitação e por linhas de financiamento com regras próprias para esse público, menos dependentes da Selic do que o crédito comum.
Para gestores de qualquer setor, ficam duas lições. A primeira: mercado com demanda real atravessa melhor os ciclos de juros. A segunda: depender de um único canal, como mostrou a greve da Caixa, é um risco operacional que aparece justamente no fechamento do trimestre. Acompanhe a cobertura na editoria de Economia do Vector News.
Fontes: TradeMap, Money Times, Gazeta Mercantil, InfoMoney, ADVFN, Empiricus.
Executivo de marketing e conteúdo digital com mais de 18 anos de experiência em marcas como Terra, iG, TecToy e Banco Digio, indústrias e agências de comunicação. Fundador da Vector Marketing, agência especializada em portais, sites e conteúdo, e atualmente editor do Vector News.
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