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Caged 2026: Brasil tem pior setembro na criação de empregos desde 2020

Brasil criou 121.305 empregos formais em setembro de 2026, pior resultado para o mês desde 2020. Entenda a queda, os setores e os salários.

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Caged 2026: brasileiros aguardam atendimento com documentos em ambiente de seleção profissional
Brasil criou 121.305 empregos com carteira assinada em setembro de 2026. Imagem ilustrativa: Vector News.

O Caged 2026 revelou uma desaceleração importante na geração de empregos com carteira assinada no Brasil. Em setembro, o país criou 121.305 postos de trabalho formais, uma queda de 43,5% em relação ao mesmo mês de 2025. Foi o pior resultado para setembro desde o início da série do Novo Caged, em 2020.

Os números foram divulgados nesta quarta-feira, 4 de novembro, pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Apesar do saldo positivo, o resultado do Caged 2026 reforça os sinais de enfraquecimento do mercado de trabalho brasileiro em um cenário de juros elevados e menor ritmo da atividade econômica.

O país registrou 2.214.437 admissões e 2.093.132 desligamentos no mês. A diferença entre contratações e demissões explica o saldo de 121.305 novos empregos formais.

Caged 2026: por que setembro teve o pior resultado desde 2020?

O resultado do Caged 2026 mostra que as empresas continuam contratando, mas em um ritmo inferior ao observado no ano passado. Em setembro de 2025, foram criados aproximadamente 214,6 mil empregos formais, considerando os dados revisados.

Isso significa que o Brasil abriu cerca de 93 mil vagas a menos na comparação anual. A retração de 43,5% representa uma perda expressiva de velocidade na geração de postos com carteira assinada.

O desempenho também ficou abaixo da expectativa de economistas consultados pela Reuters, que projetavam saldo positivo de aproximadamente 170,9 mil vagas.

O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, relacionou o enfraquecimento das contratações ao patamar elevado dos juros, que restringe investimentos e dificulta a expansão das empresas.

Quando o crédito fica mais caro, negócios tendem a adiar projetos, compras de equipamentos e abertura de unidades. Esse movimento pode reduzir a necessidade de novas contratações, especialmente em setores mais dependentes de financiamento.

Essa relação entre juros e atividade econômica também aparece na reportagem da Vector News sobre o Copom de novembro de 2026 e os fatores que influenciam a Selic. A taxa básica afeta o custo do crédito para empresas e consumidores, embora seus efeitos sobre o emprego ocorram de forma gradual.

Os dados oficiais podem ser consultados no balanço do Novo Caged divulgado pelo governo federal.

Quantos empregos com carteira assinada foram criados em setembro?

O saldo positivo de 121.305 empregos formais resulta da diferença entre o número de trabalhadores admitidos e o de profissionais desligados durante setembro.

Indicador Resultado
Admissões 2.214.437
Desligamentos 2.093.132
Saldo de empregos 121.305
Variação ante setembro de 2025 -43,5%
Empregos criados em 2026 até setembro 1.248.914

Embora o Caged 2026 tenha registrado crescimento líquido do emprego, o saldo não deve ser confundido com o total de contratações. Mais de dois milhões de pessoas foram admitidas no mês, mas houve também um volume elevado de desligamentos.

O indicador mede o movimento dos vínculos formais de trabalho. Ele não representa, isoladamente, a taxa de desemprego de toda a população brasileira, que é acompanhada por outra pesquisa, a PNAD Contínua, do IBGE.

Caged 2026: quais setores mais contrataram em setembro?

O setor de serviços liderou a criação de empregos formais em setembro, com 81.241 novas vagas. O segmento respondeu por aproximadamente dois terços do saldo positivo nacional.

Na sequência apareceram indústria, comércio e construção civil. A agropecuária foi o único dos cinco grandes setores a registrar mais desligamentos do que admissões.

Setor Saldo de vagas
Serviços +81.241
Indústria +19.285
Comércio +15.697
Construção civil +9.468
Agropecuária -4.381
Caged 2026: infográfico mostra 121.305 empregos criados em setembro, queda de 43,5% e saldo de vagas por setor
Caged 2026: Brasil criou 121.305 empregos formais em setembro, queda de 43,5% ante 2025. Serviços lideraram a abertura de vagas e agropecuária teve saldo negativo. Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego. Arte: Vector News.

Serviços continuam sustentando a geração de empregos

Dentro do setor de serviços, as atividades administrativas e os serviços complementares geraram 18.386 vagas. Saúde humana e serviços sociais responderam por outras 15.403 contratações líquidas.

Transporte, armazenagem e correio também apresentaram resultado positivo, com 13.240 novos postos formais.

Esses números mostram que atividades ligadas ao atendimento, à saúde e à logística continuam relevantes para a geração de empregos, mesmo diante da desaceleração geral.

Por que a agropecuária perdeu empregos?

A agropecuária registrou saldo negativo de 4.381 vagas em setembro. O resultado pode refletir fatores sazonais relacionados ao calendário de produção e colheita, além das condições específicas de diferentes culturas.

O dado não significa necessariamente que todo o agronegócio esteja em retração. O saldo do Caged mede admissões e desligamentos com carteira assinada, não o faturamento ou a produção total do setor.

Quais estados criaram mais empregos formais?

O levantamento do Caged 2026 mostra que 26 das 27 unidades da Federação registraram saldo positivo em setembro.

São Paulo liderou em números absolutos, com 19.391 novas vagas. Pernambuco apareceu em segundo lugar, com 13.371, seguido por Alagoas, com 11.110 postos.

O Rio Grande do Sul foi o único estado com saldo negativo, registrando o fechamento líquido de 2.937 empregos formais.

Nordeste liderou a criação de vagas entre as regiões

Na divisão regional, o Nordeste teve o maior saldo positivo do país, com 49.142 empregos criados. O Sudeste ficou em segundo lugar, com 39.404.

As demais regiões também registraram crescimento: Norte, com 14.748 vagas; Sul, com 9.949; e Centro-Oeste, com 7.894.

O desempenho regional reforça que o mercado de trabalho brasileiro apresenta diferenças importantes. Uma desaceleração nacional não significa que todos os estados estejam reduzindo contratações na mesma intensidade.

Caged 2026: qual foi o salário médio de contratação?

O salário médio real de admissão registrado pelo Caged 2026 foi de R$ 2.429,41 em setembro.

Na comparação com agosto, houve redução de R$ 1,10, equivalente a 0,05%. Já em relação a setembro de 2025, o salário médio apresentou crescimento real de R$ 44,90, ou 1,88%.

O resultado indica que, apesar da perda de ritmo na criação de empregos, a remuneração média de entrada manteve ganho real na comparação anual.

É importante observar que o salário de admissão representa a remuneração dos trabalhadores contratados no período. Ele não corresponde ao salário médio de todos os profissionais empregados no Brasil.

Quantos empregos o Brasil criou em 2026?

Entre janeiro e setembro, o Brasil acumulou saldo positivo de 1.248.914 empregos com carteira assinada.

O número representa uma redução de aproximadamente 27,9% em relação ao mesmo intervalo de 2025, quando haviam sido criados 1.731.398 postos formais.

Nos 12 meses encerrados em setembro, o saldo foi de 787.073 empregos, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego.

Com o resultado, o estoque nacional de vínculos formais chegou a aproximadamente 48,35 milhões de trabalhadores.

O Caged 2026 evidencia, portanto, duas situações simultâneas: o país continua gerando vagas, mas a velocidade de expansão do emprego diminuiu significativamente.

Os juros altos estão prejudicando as contratações?

A política monetária é um dos fatores que ajudam a explicar a desaceleração do mercado de trabalho.

Taxas de juros elevadas encarecem empréstimos, financiamentos e capital de giro. Para empresas, isso pode significar menos investimentos em expansão e maior cautela na abertura de novos postos.

O efeito também alcança o consumo. Famílias com crédito mais caro podem reduzir compras financiadas, afetando o faturamento de setores como comércio e serviços.

Entretanto, não é possível atribuir toda a queda de 43,5% exclusivamente aos juros. A geração de empregos também depende de produtividade, demanda, investimentos, sazonalidade e expectativas dos empresários.

O debate sobre os juros está diretamente ligado às expectativas de inflação. A Vector News analisou como o Boletim Focus reúne projeções para inflação, Selic e dólar, indicadores acompanhados por empresários na hora de decidir sobre investimentos e contratações.

O Caged 2026 precisa ser interpretado dentro desse conjunto de indicadores, sem transformar uma única variável econômica na explicação para todos os movimentos do emprego.

O que os dados do Caged significam para quem procura emprego?

Para profissionais em busca de recolocação, o Caged 2026 indica um mercado ainda ativo, porém potencialmente mais competitivo.

Mesmo com a desaceleração, setores como serviços administrativos, saúde, transporte e logística continuam apresentando saldos positivos de contratação.

Isso não significa que todas as empresas desses segmentos estejam ampliando equipes. O dado nacional reúne empresas de diferentes portes, regiões e atividades.

Uma estratégia de recolocação deve considerar a demanda local, as qualificações exigidas e as oportunidades efetivamente disponíveis.

Também é importante diferenciar a criação líquida de empregos do volume total de vagas abertas. Mesmo setores com saldo baixo podem registrar grande movimentação de admissões e desligamentos.

O que a desaceleração representa para as empresas?

Para empresários e gestores, a perda de velocidade nas contratações pode sinalizar um ambiente econômico de maior cautela.

Empresas que enfrentam custos financeiros elevados tendem a observar com mais atenção indicadores como produtividade, receita por funcionário, margem operacional e capacidade de investimento.

Ao mesmo tempo, a disponibilidade de profissionais pode variar conforme a região e a especialização exigida. A desaceleração nacional não elimina dificuldades de recrutamento em áreas específicas.

O resultado do Caged 2026 também reforça a importância de acompanhar indicadores econômicos antes de tomar decisões de expansão.

Outro fator relevante para o planejamento empresarial é a possível reorganização das jornadas de trabalho. A Vector News explicou como funciona a transição para a escala 5×2 e quais são as exceções previstas, tema que pode afetar escalas, custos e necessidades de contratação.

O Brasil está entrando em uma crise de empregos?

O dado de setembro, isoladamente, não permite concluir que o Brasil esteja entrando em uma crise generalizada de empregos.

O saldo permaneceu positivo, e o estoque de trabalhadores com carteira assinada continuou crescendo. Entretanto, a comparação anual mostra uma desaceleração relevante.

Para avaliar a tendência, é necessário acompanhar os próximos resultados do Caged, a taxa de desemprego medida pelo IBGE, a evolução dos salários e os indicadores de atividade econômica.

Também será importante observar se o enfraquecimento das contratações se concentra em alguns setores ou se passa a atingir uma parcela maior da economia.

Quando sai o próximo resultado do Caged?

O Novo Caged é divulgado mensalmente pelo Ministério do Trabalho e Emprego, com dados referentes ao período anterior.

O próximo levantamento deverá apresentar os resultados de outubro de 2026, conforme o calendário oficial de divulgação do ministério.

O dado será importante para verificar se a criação de empregos recuperou parte do ritmo perdido em setembro ou se a desaceleração continua.

O acompanhamento do Caged 2026 nos próximos meses permitirá avaliar se setembro foi um resultado pontual ou parte de uma tendência mais prolongada de redução no ritmo de abertura de vagas.

Resumindo: o Caged 2026 registrou a criação de 121.305 empregos formais em setembro, queda de 43,5% em relação ao mesmo mês de 2025 e pior resultado para setembro desde 2020. Serviços lideraram as contratações, a agropecuária apresentou saldo negativo e o acumulado do ano chegou a 1,25 milhão de vagas. Os números mostram que o emprego formal continua crescendo, mas em ritmo significativamente menor.

Reportagem publicada em 4 de novembro de 2026. Dados sujeitos a revisões posteriores do Ministério do Trabalho e Emprego.

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Redação Vector News
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