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Justiça encerra a recuperação judicial da Americanas e ação dispara até 25%

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· 6 min de leitura

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Recuperação judicial da Americanas chega ao fim com loja movimentada em shopping
Justiça do Rio encerra o processo aberto em 2023 após a fraude contábi

A recuperação judicial da Americanas chegou oficialmente ao fim. Na segunda-feira (19/10), a 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro declarou cumpridas as obrigações do plano aprovado pelos credores. Com isso, termina o processo aberto em janeiro de 2023, poucos dias depois de a varejista revelar um dos maiores escândalos contábeis da história do país. Nesta terça-feira (20), o mercado reagiu forte e a ação AMER3 chegou a subir mais de 25%.

O que a Justiça decidiu sobre a recuperação judicial da Americanas

O juiz Arthur Eduardo Magalhães Ferreira considerou cumpridas as obrigações com vencimento nos dois anos seguintes à homologação do plano, que aconteceu em 26 de fevereiro de 2024. A decisão vale também para as subsidiárias B2W Digital Lux, JSM Global e ST Importações. O administrador judicial e o Ministério Público do Rio deram parecer favorável. As informações são da Bloomberg Línea.

Na prática, a empresa pode tirar a expressão “em Recuperação Judicial” do nome oficial. O juiz também rejeitou a contestação de um grupo de detentores de títulos no exterior (bondholders). Eles alegavam que suas dívidas em dólar foram convertidas para reais sem consentimento. Segundo a decisão, a conversão estava prevista em cláusula do plano conhecida desde maio de 2024 e aprovada pelos próprios credores. Quem se sentir prejudicado ainda pode pedir a execução específica do plano ou a falência. A decisão também cabe recurso.

Ação dispara na bolsa

A reação foi imediata. Segundo o InfoMoney, os papéis da Americanas chegaram a subir 25,63% e foram negociados a R$ 7,50 por volta das 10h15. A própria companhia espera que o fim da recuperação judicial da Americanas faça os bancos retomarem a cobertura da ação, o que tende a ampliar o interesse de investidores.

Relembre: da fraude ao pedido de proteção

Em 11 de janeiro de 2023, a Americanas comunicou ao mercado “inconsistências contábeis” estimadas inicialmente em R$ 20 bilhões e depois revisadas para R$ 25,3 bilhões. O então CEO, Sergio Rial, deixou o cargo no mesmo dia, e as ações despencaram 77% no pregão seguinte. Cerca de uma semana depois, a empresa entrou com o pedido de proteção, com R$ 43 bilhões em dívidas com 16,3 mil credores.

O plano aprovado em dezembro de 2023 previa descontos de até 80% para parte dos credores e um aumento de capital de R$ 24,5 bilhões. Desse total, R$ 12,3 bilhões vieram em dinheiro dos acionistas de referência Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira. Os bancos converteram parte das dívidas em ações.

Recuperação judicial da Americanas: linha do tempo da fraude ao fim do processo
Da revelação da fraude, em janeiro de 2023, ao fim do processo, em outubro de 2026. Arte: Vector News

Como a empresa chegou até aqui

Para cumprir o plano, a varejista vendeu ativos e encolheu. A Uni.co, dona da Imaginarium e da Puket, foi vendida à BandUP! por R$ 162 milhões, operação concluída em julho. Dez lojas da Natural da Terra foram para o Grupo Fartura (Oba Hortifruti) por R$ 69,3 milhões, cerca de 3,3% dos R$ 2,1 bilhões pagos pela rede inteira em 2021. O número de lojas caiu de 1.863, em setembro de 2022, para 1.448, em março de 2026.

Os números melhoraram, mas ainda oscilam. Em 2025, a Americanas teve lucro líquido de R$ 98 milhões nas operações regulares, contra prejuízo de R$ 182 milhões no ano anterior. Pela primeira vez desde o escândalo, o caixa de R$ 2,5 bilhões superou a dívida bruta de R$ 2 bilhões. Já no segundo trimestre de 2026, a empresa voltou ao prejuízo, de R$ 274 milhões, com receita líquida de R$ 3,3 bilhões, queda de 1,7%. No primeiro semestre, as vendas nas mesmas lojas cresceram 9,3%.

A nova Americanas: lojas dentro de lojas e retail media

Sob o comando do CEO Fernando Soares, a empresa aposta em novas fontes de receita. Uma delas é o modelo de loja dentro da loja, com marcas como WePink e Panini ocupando espaço nas unidades físicas. A outra é a Americanas Ads, plataforma de mídia de varejo que usa a base de 37 milhões de clientes identificados para vender anúncios a outras marcas.

O movimento segue uma tendência forte do varejo. Redes com muitos dados de clientes passaram a vender audiência, como fazem Amazon e Mercado Livre. Para anunciantes, isso abre mais um canal para alcançar o consumidor no momento da compra.

O que ainda fica em aberto

O fim da recuperação judicial da Americanas não encerra o caso na esfera criminal. Na semana passada, a Justiça Federal no Rio tornou réus 12 ex-executivos acusados de fraude. A companhia afirma ter sido vítima de uma “fraude estruturada e de natureza dolosa” praticada por ex-dirigentes. O ex-CEO Miguel Gutierrez nega irregularidades. Em junho de 2026, a Polícia Federal deflagrou uma segunda fase da investigação. Na CVM, ex-executivos respondem desde 2024 por uso de informação privilegiada.

No processo cível, o administrador judicial tem 15 dias para apresentar relatório sobre a execução do plano e 30 dias para prestar contas. As disputas de crédito que ainda estão pendentes continuam na mesma vara.

Contraste no varejo

A notícia chega num momento delicado para o setor. Em agosto, o Grupo Casas Bahia pediu recuperação judicial para renegociar R$ 17,3 bilhões em dívidas, como noticiou o Correio da Manhã. Juros altos e um consumidor cauteloso seguem pressionando as grandes redes.

Lições da recuperação judicial da Americanas para as marcas

O caso deixa recados claros para empresas de qualquer porte:

  • Confiança é ativo. A marca sobreviveu porque continuou presente na vida do consumidor, mesmo com a crise nas manchetes. O papel da marca no valor de uma empresa nunca foi tão evidente.
  • Governança não é burocracia. Controles fracos podem destruir em um dia o que levou décadas para ser construído.
  • Crise pede comunicação, não silêncio. Manter o relacionamento com clientes é parte da recuperação, como mostramos em marketing em tempos de crise.
  • Reinventar o modelo de negócio é possível. Retail media e parcerias de espaço mostram como gerar receita com o que a empresa já tem.

Se a sua empresa precisa reposicionar a marca ou reforçar a comunicação com clientes, a Vector Marketing pode ajudar a construir essa estratégia. Veja também nosso guia de posicionamento de marca.

Com o encerramento da recuperação judicial da Americanas, a varejista vira a página no processo, mas o desafio agora é outro: provar ao mercado e ao consumidor que consegue voltar a crescer com lucro de forma consistente.

Redação Vector News
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