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Preço do petróleo passa de US$ 111 com minas em Ormuz e ataques na Arábia Saudita

O Brent superou US$ 111 pela primeira vez desde maio, depois de petroleiros atingirem minas em Ormuz e de ataques reivindicados contra a Aramco. Entenda o impacto em combustíveis, frete, passagens, inflação e nas empresas brasileiras.

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· 7 min de leitura

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Preço do petróleo: barris de petróleo diante de painel do mercado em alta
Brent volta a subir com minas em Ormuz e ataques reivindicados na Arábia Saudita

O preço do petróleo voltou a disparar nesta terça-feira (20/10). O barril do tipo Brent, referência internacional usada também pela Petrobras, passou dos US$ 111 pela primeira vez desde maio. A alta veio com novos incidentes no Estreito de Ormuz e com ataques reivindicados contra instalações de energia na Arábia Saudita. Para o Brasil, isso reacende o alerta sobre combustíveis, frete, passagens aéreas e inflação, justamente na reta final do segundo turno e a pouco mais de um mês da Black Friday.

Segundo a Infobae, com dados da Reuters, o Brent subiu cerca de 1,6% e chegou a US$ 111,33 por volta das 7h15 (horário de Brasília). O WTI, referência dos Estados Unidos, avançou 4,3%, para US$ 108,15, o maior patamar desde setembro. Na Europa, as bolsas abriram em queda, pressionadas também pelas empresas de tecnologia.

O que fez o preço do petróleo subir hoje

Dois fatos explicam o salto. O primeiro veio do Iêmen. Os huthis, grupo aliado do Irã, afirmaram ter atacado alvos na Arábia Saudita, entre eles uma planta da Aramco em Yanbu, o campo de Shaybah e os aeroportos de Riad e Abha. As autoridades sauditas não confirmaram os ataques de imediato, e a Reuters não conseguiu verificar as informações de forma independente.

O segundo veio do próprio Estreito de Ormuz. A Guarda Revolucionária do Irã informou que dois petroleiros pegaram fogo depois de atingir minas navais ao sul da passagem. Segundo Teerã, oito embarcações bateram em explosivos ao longo da última semana. O Irã também disse ter colocado 122 navios em uma lista de “infratores” e avisou que quem cruzar a rota minada terá seus bens destruídos.

Para o mercado, a combinação é a pior possível. Fica em risco a produção da Arábia Saudita, maior exportadora do mundo, e também o caminho por onde boa parte dessa produção sai do Golfo Pérsico.

Por que o Estreito de Ormuz pesa tanto

O estreito tem cerca de 33 quilômetros de largura no ponto mais estreito. Em tempos normais, passam por ali perto de 20 milhões de barris por dia, o equivalente a um quinto do consumo global, segundo levantamento do Click Petróleo e Gás. Qualquer ameaça à navegação na região mexe na hora com o preço do petróleo no mundo inteiro.

A região vive sob tensão desde o início da guerra entre Israel e Irã, no primeiro semestre. No fim de abril, com a passagem fechada ao tráfego comercial, o Brent fechou a US$ 111,26, na sétima alta seguida. Em maio, os Emirados Árabes Unidos deixaram a Opep+ depois de 59 anos no grupo. Em tese, a saída ampliaria a oferta global, mas a crise no Golfo engoliu esse efeito.

Como o preço do petróleo chega ao bolso do brasileiro

Combustíveis

Na gasolina, o governo vem segurando o repasse. Em setembro, a Petrobras retirou um desconto de R$ 0,44 e aplicou um aumento de R$ 0,19 por litro para as distribuidoras, uma alta total de R$ 0,63. No mesmo dia, um decreto cortou o PIS/Cofins da gasolina no mesmo valor e anulou o efeito nas bombas, como mostrou o jornal O Tempo. O próprio governo diz que as medidas são temporárias e dependem dos preços internacionais e do orçamento. Ou seja, quanto mais tempo o preço do petróleo ficar acima de US$ 100, maior a conta para manter a gasolina estável. Explicamos esse mecanismo na matéria sobre o subsídio aos combustíveis.

Frete e logística

O diesel move a maior parte das cargas do país. Mesmo com subvenção, a pressão sobre o combustível encarece o frete rodoviário. Com algumas semanas de atraso, o aumento chega ao preço de alimentos, materiais de construção e produtos vendidos no e-commerce. Para o varejo, que se prepara para a Black Friday, isso significa margens mais apertadas justamente no período de maior volume de entregas.

Passagens aéreas

O querosene de aviação acompanha de perto o Brent e é um dos maiores custos das companhias aéreas. Desde o início da crise, Latam e Gol sinalizaram que repassariam parte do aumento às tarifas. Quem viaja a trabalho ou está planejando as férias de fim de ano deve sentir no bolso.

Inflação e juros

Energia e transporte têm peso grande no IPCA. Com a inflação acima de 5% no acumulado de 12 meses, um novo choque no preço do petróleo complica o trabalho do Banco Central e reduz o espaço para cortes na Selic. Os detalhes do último índice estão na nossa cobertura do IPCA de setembro.

Dólar, bolsa e Petrobras

Na segunda-feira (19), o Ibovespa fechou em 205.079 pontos e o dólar recuou para R$ 5,03, segundo o boletim Mercado Hoje. A moeda americana segue perto da marca que o portal acompanhou quando o dólar ficou abaixo de R$ 5. Em geral, a alta do preço do petróleo favorece as ações de petroleiras, que ajudam a sustentar o índice. Por outro lado, a aversão a risco no exterior e a disputa eleitoral apertada limitam o fôlego da bolsa. Veja como os investidores estão se posicionando na matéria sobre a bolsa depois da eleição.

Cenários para o preço do petróleo até o fim de 2026

Analistas do setor trabalham com três caminhos, segundo projeções reunidas pelo Click Petróleo e Gás:

  • Acordo diplomático: com Ormuz reaberto, o Brent recuaria para a faixa de US$ 85 a US$ 95.
  • Impasse prolongado: sem escalada, mas com a navegação travada, o barril ficaria entre US$ 105 e US$ 115.
  • Escalada regional: ataques efetivos à infraestrutura saudita ou dos Emirados poderiam levar o barril a US$ 130 ou até US$ 150.

Os ataques reivindicados nesta terça aproximam o mercado do terceiro cenário, o que explica a reação forte das cotações. Se a Arábia Saudita confirmar danos relevantes, a volatilidade tende a aumentar nos próximos dias.

Preço do petróleo: Brent acima de US$ 111, cenários e impactos no Brasil
Brent acima de US$ 111, os três cenários até o fim de 2026 e onde a alta pesa no Brasil. Arte: Vector News

O que as empresas podem fazer agora

Para pequenas e médias empresas, o choque no preço do petróleo não é só notícia de mercado. Ele aparece no custo do frete, no preço dos insumos e no humor do consumidor, que já vinha mais cauteloso em 2026. Algumas atitudes ajudam a atravessar esse período:

  • Revise frete e entrega antes de fechar as ofertas da Black Friday. Um desconto calculado sobre um custo logístico desatualizado pode virar prejuízo.
  • Explique reajustes com transparência. O cliente aceita melhor um aumento quando entende o motivo.
  • Concentre a verba nos canais que convertem. Em momentos de custo alto, cada real de mídia paga na Black Friday precisa ser medido.
  • Não suma. Marcas que mantêm presença em períodos difíceis saem na frente, como mostramos em marketing em tempos de crise.

A Vector Marketing ajuda empresas a ajustar estratégia, mídia e comunicação para vender mais mesmo em cenários de custo em alta.

O que acompanhar nos próximos dias

Três pontos devem definir o rumo do preço do petróleo: a confirmação, ou não, dos ataques na Arábia Saudita, a situação da navegação em Ormuz e uma eventual resposta dos Estados Unidos e aliados. No Brasil, o mercado observa se o governo terá fôlego fiscal para manter os subsídios e como o tema aparece no debate presidencial de sexta-feira. A Vector News segue acompanhando.

Redação Vector News
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