O patrocínio de bets acabou no futebol brasileiro. A Medida Provisória 1.394, publicada pelo governo federal em 25 de setembro de 2026, proibiu a exploração, a oferta e a publicidade das casas de apostas em todo o país. Desde o dia 6 de outubro, 14 dos 20 clubes da Série A entram em campo sem a marca que estampava o peito da camisa.
É a maior mudança comercial do futebol brasileiro em anos. Em poucos dias, o esporte perdeu o setor que mais investia em patrocínio no país e abriu uma corrida para descobrir quem vai ocupar esse espaço.
O que a MP das bets determina
O texto é duro e tem prazos curtos. Os sites e aplicativos das casas de apostas saíram do ar no dia 6 de outubro. Em 25 de outubro, as autorizações das empresas deixam de existir, sem devolução do valor pago pela outorga e sem indenização. No mercado regulado, eram 85 empresas, e cada uma havia desembolsado R$ 30 milhões por uma licença de cinco anos.
Para o futebol, a regra mais sensível é a que proíbe publicidade e patrocínio em qualquer meio. A MP deu dez dias para que placas, camisas e sinais de patrocínio fossem retirados. A medida também obriga a mudança de nome de competições que levavam marcas de apostas, como o Brasileirão e a Copa do Brasil.
O tamanho do rombo do patrocínio de bets
Os números mostram por que o tema virou prioridade nos clubes. Somados, os contratos de patrocínio máster entre casas de apostas e clubes da Série A ficam entre R$ 910 milhões e R$ 1,1 bilhão por ano, a depender do levantamento. Segundo outra estimativa, a proibição ameaça 7,9% de toda a receita dos clubes da elite.

Os maiores contratos afetados
- Flamengo e Betano: R$ 220 milhões por ano.
- Corinthians e Esportes da Sorte: R$ 150 milhões.
- Palmeiras e Sportingbet: R$ 100 milhões.
- São Paulo e Superbet: R$ 90 milhões.
- Atlético-MG e H2Bet: R$ 60 milhões.
Seis clubes da Série A não tinham uma casa de apostas como patrocinadora máster: Athletico-PR, Bahia, Coritiba, Internacional, Mirassol e RB Bragantino. Para eles, o impacto direto é menor, mas o efeito indireto chega a todos, porque as bets também compravam placas, inserções nas transmissões e direitos de nome de estádios.
Como os clubes estão reagindo
A primeira reação foi jurídica. São Paulo e outros quatro clubes pediram para acompanhar as ações que questionam a MP no Supremo Tribunal Federal. O governo, por sua vez, sinalizou que pretende se reunir com clubes e entidades para medir o impacto financeiro da medida. Como toda medida provisória, o texto ainda precisa passar pelo Congresso e pode ser alterado.
Enquanto isso, a realidade é imediata. Clubes que contavam com o dinheiro do patrocínio de bets para fechar o orçamento de 2026 precisam rever folha salarial, investimentos e planos de contratação. Para os que têm dívidas altas, a perda de receita recorrente pesa ainda mais.
O efeito sobre as SAFs
Nos clubes empresa, a conta é ainda mais sensível. Investidores compraram SAFs com projeções de receita que incluíam contratos de patrocínio de bets por vários anos. A perda repentina dessa receita altera o valor desses negócios e pode atrasar aportes prometidos.
Quem pode ocupar o espaço do patrocínio de bets
O futebol brasileiro já trocou de patrocinador dominante outras vezes. Nos anos 1980 e 1990, refrigerantes, montadoras e empresas de eletrônicos ocupavam as camisas. Depois vieram os bancos e, mais recentemente, as casas de apostas. A pergunta agora é qual setor tem dinheiro e interesse para assumir o lugar.
Os candidatos mais citados pelo mercado são bancos digitais e fintechs, plataformas de comércio eletrônico, empresas de tecnologia e marcas de bens de consumo. O problema é o preço. Poucos setores estão dispostos a pagar valores como os R$ 220 milhões anuais do contrato do Flamengo, que refletiam a disputa acirrada entre as próprias bets.
O que muda para as marcas
Para os anunciantes, o momento é de oportunidade. Com muitas camisas disponíveis ao mesmo tempo, o poder de negociação passa para o lado das marcas. Empresas que nunca conseguiriam espaço no peito de um grande clube agora encontram portas abertas e preços menores. Contratos mais curtos, com metas de ativação e cláusulas de desempenho, tendem a se tornar mais comuns.
O que o executivo deve observar
O fim do patrocínio de bets mostra o risco de depender de um único setor. Quando uma regra muda, a receita some de uma vez. Clubes que diversificaram patrocinadores, investiram em sócio torcedor e em receitas de estádio sentem menos o golpe.
A lição vale para qualquer empresa: concentração de receita em poucos clientes ou em um único setor é um risco que muitas vezes só aparece quando já é tarde. Para as marcas, o recado é outro: o futebol brasileiro vai passar os próximos meses procurando parceiros, e quem chegar primeiro vai negociar em condições raras.
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Executivo de marketing e conteúdo digital com mais de 18 anos de experiência em marcas como Terra, iG, TecToy e Banco Digio, indústrias e agências de comunicação. Fundador da Vector Marketing, agência especializada em portais, sites e conteúdo, e atualmente editor do Vector News.
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