Baixa oxigenação pode causar mais mortes de peixes no Rio Piracicaba
A Prefeitura de Piracicaba SP programou para a noite de ontem 12 a remoção dos milhares de peixes encontrados mortos à tarde no Rio Piracicaba, mas a dificuldade de acesso ao trecho adiou o serviço, que deve ser retomado hoje.

A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) informou que podem ocorrer novos casos de mortandade, já que a oxigenação da água está comprometida pela presença de esgoto.

Os peixes mortos, principalmente das espécies dourado, curimba, jurupensém e piapara, continuam às margens da Avenida Jaime Pereira (Estrada do Bongue), na região do bairro Jupiá. O mau cheiro no local é forte. Assim que forem recolhidas, as carcaças serão levadas para um aterro sanitário particular em Paulínia.

O aumento da carga de matéria orgânica no leito do rio, que vive a pior seca dos últimos 50 anos, é apontado por especialista como a principal hipótese para a mortandade.

"Tivemos na cidade nos últimos dias uma chuva forte e rápida, que carregou esgoto e sujeira dos bueiros e da rede de águas pluviais para o rio. Com mais matéria orgânica na água, o consumo de oxigênio aumenta e falta para os peixes", informou o ambientalista Ricardo Schmidt.

Segundo ele, os peixes mortos não devem ser usados para alimentação humana porque podem estar contaminados.
O fotógrafo Mateus Medeiros flagrou no final da tarde desta quarta-feira peixes agonizando entre os que já estavam mortos. "Vi um deles pulando para fora d'água em busca de ar. É uma cena muito triste. Não imaginei que fosse ver isso um dia."

A mortandade virou atração no Rio Piracicaba. Durante toda a tarde, moradores e turistas foram às margens do manancial ver a situação de perto.

"Nunca ocorreu um problema deste tamanho no Rio Piracicaba", disse o engenheiro agrônomo Maurício Gadotti à EPTV.
Às 21:30h desta quarta-feira, a profundidade do Rio Piracicaba era de apenas 90 centímetros, conforme medição do Comitê das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ). O normal para esta época do ano é em torno de 3 metros. A vazão estava em 14,1 mil litros de água por segundo, o que também está muito abaixo da média histórica.

Em nota, a Cetesb informou que um técnico foi enviado para fazer uma análise visual do trecho e que não estão descartados novos casos de mortandade de peixes no manancial. "A causa provável é a situação da vazão extremamente baixa e, com a ocorrência de chuvas na noite do desta terça-feira (11), pode ter ocorrido movimentação de lodo de fundo e queda do oxigênio. O leito do rio, na parte urbana, apresenta pedras aparentes e pequenos veios de água. Se essa situação persistir, é provável que novas ocorrências sejam registradas", relatou a Cetesb.

G1


Data: 13/02/2014 - 14:13
visitas: 717